vialgarve                   
vialgarve                              Lara de Noronha e Ferreira
Navigation Map
e-mail vialgarve

webmaster JNN
Gestão da Saúde, S.A.

A Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro, aprovou o regime jurídico da gestão hospitalar, expressando formal e institucionalmente um modelo de gestão do tipo empresarial e consagrando formas inovadoras de gestão. Esta lei permitiu dar início a uma nova fase no sector da saúde, assente num conjunto de alterações estruturais, e criando um novo paradigma na gestão hospitalar em Portugal. De facto, a transformação em sociedades anónimas de um conjunto alargado de hospitais; a consciencialização da necessidade de definição de princípios específicos de gestão (consignados na referida lei) e a selecção de novos gestores com formação em economia, gestão, direito e outras áreas, com reconhecido profissionalismo, à semelhança do que é feito no sector privado, ditam a entrada do sector da saúde português numa nova etapa, em que a gestão racional dos recursos e a sua optimização constituem um dos pilares do novo conceito de sistema de saúde português.

Volvidos pouco mais de 12 meses sobre a entrada nesta nova fase, os resultados parecem bastante animadores. Nesta nova experiência, o objectivo para 2003 assentava no controlo das despesas, objectivo cumprido de acordo a publicação da revista Visão nº 559, de 20 de Novembro de 2003, que referencia que os contratos-progama custaram cerca de 1400 milhões de euros, resultando numa poupança de 6,8% relativamente ao ano anterior. Mais ainda, de acordo com aquela publicação, os custos médios sofreram um decréscimo de 7,5%, enquanto que a produtividade da rede de hospitais S.A. aumentou na consulta externa (9,0%), hospital de dia (15,8%), intervenções cirúrgicas (18,5%) e altas de internamento (2,9%).

Claro que é necessário dar ainda alguns passos mais além. É importante consciencializarmo-nos que após a entrada nesta nova etapa, muitas mais terão que ser atingidas e superadas. Os novos gestores têm um enorme desafio e responsabilidade, que passa por provar as vantagens do novo modelo de gestão, através de um aumento de eficiência, qualidade e produtividade. Mas, não são só os gestores que têm responsabilidades no sucesso deste novo modelo. O próprio Ministério da Saúde tem a obrigação de informar os cidadãos dos resultados desta nova experiência, à semelhança do que fez em Novembro passado, ao avaliar o desempenho dos 31 hospitais S.A., elaborando um ranking de acordo com determinados indicadores. É importante comparar hospitais, por forma a que os mesmos se corrijam com o conhecimento dos próprios erros e que os cidadãos portugueses em geral, utilizadores do sistema de saúde português, conheçam os resultados das novas experiências, e possam acreditar que um sistema de saúde mais eficiente e de maior qualidade poderá tornar-se uma realidade, num futuro (muito) próximo.

Lara de Noronha e Ferreira
Mestre em Gestão e Economia da Saúde e Docente Universitária
Jornal do Algarve 19.02.2004

Jornal do Algarve

Comente este artigo

Comentários por HaloScan.com
Tiago Torégão João Nuno Neves Pedro Miguel Ortet Jorge Lami Leal Jorge Moedas Carlos Baía Lara Ferreira Hugo Leonardo Nuno Silva Alexandra Paradinha Paula Rios Pedro Gonçalves Miguel Antunes José Leiria André Botelheiro André Ramos António Ramos Marco Rodrigues Outros