logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

A Saúde está na ordem do dia

Hoje em dia está na moda falar-se de saúde. É comum afirmar-se que "a saúde está doente", é comum ouvirem-se comentários nos cafés, entre amigos, nos corredores: "gasta-se muito com a saúde" ou "os recursos estão mal aproveitados, há que aproveitá-los melhor...". Na realidade, a saúde está na ordem do dia.

Mas, será que todos sabemos do que falamos? Aquando das discussões bastante actuais sobre os novos modelos de gestão dos hospitais e sobre os "novos fármacos", os genéricos, será que podemos afirmar, de ânimo leve, que concordamos, ou não, com isto ou aquilo?

Qualquer tomada de posição em qualquer assunto relacionado com a saúde (e não só) deve ser fundamentada em estudos e conhecimentos mais aprofundados daquilo que se está a tratar: é importante que se abandone o discurso fácil de que são precisos mais médicos, mais recursos, de que os novos modelos de gestão constituem uma desresponsabilização do Estado, de que os genéricos não constituem uma solução para o facto dos portugueses serem aqueles que mais gastam em medicamentos, dentro da União Europeia...

Na realidade, mesmo a nível nacional, é importante apostar-se mais nos estudos na área da saúde. Em qualquer área é importante estabelecer prioridades e decidir sobre qual a melhor forma de resolver este ou aquele problema. No sector da saúde, o estabelecimento de prioridades passa por um melhor planeamento na área da saúde, que, por sua vez, não pode deixar de assentar em estudos e avaliações nessa área. Este é o objectivo da economia da saúde, que pretende contribuir com argumentos para o estabelecimento de prioridades na área da saúde e fundamentos para as escolhas que podem ser feitas na área em causa. Mas, ainda há muito por fazer: são necessários mais estudos, mais investimento em avaliações económicas, por forma a comparar programas ou investimentos alternativos, em termos de custos e consequências, num cenário de escassez de recursos.

A saúde está na ordem do dia, sim. Mas, as avaliações económicas no sector da saúde, seja para decidir se se deve construir um novo centro de saúde, ou investir na aquisição de equipamento especializado para um bloco operatório de um hospital; para decidir se os novos hospitais devem seguir o modelo de gestão habitual, ou um novo modelo de gestão, baseado nas parecerias publico-privados ou para decidir se se deve incluir uma nova vacina no Plano Nacional de Vacinação, ou não, também têm que estar na ordem do dia. São precisos mais estudos, mais avaliações económicas na área da saúde, para que se possam tomar decisões, tomar partidos, e é preciso que os resultados dessas avaliações sejam tornados públicos, para que os cidadãos possam tomar conhecimento sobre os assuntos que estão na ordem do dia.

Lara de Noronha e Ferreira
Economista e Docente Universitária
Jornal do Algarve 12.12.2002

 

Jornal do Algarve

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