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Desemprego?

O país está em crise... O desemprego está a aumentar...são palavras, afirmações, manchetes que vendem jornais...

É um facto que atravessamos momentos difíceis, que há muitas pessoas que se encontram desempregadas, que há famílias a atravessarem sérias dificuldades. No entanto, não podemos "embandeirar em arco", não nos podemos deixar levar por emoções, nem julgar sem fundamentos. Será mesmo verdade que o desemprego está a aumentar? E a ser verdade que de facto tenha havido um aumento do desemprego, até que ponto foi esse aumento? Até onde é que ele chegou? Que tipo de pessoas desempregadas temos?

No nosso Algarve, a taxa de desemprego (segundo dados do Instituto Nacional de Estatística) foi de 6,9% no 4º trimestre de 2002, superior à taxa do Continente, que foi de 6,2%, no mesmo período. No entanto, não nos podemos esquecer que na nossa Região o emprego tem características de sazonalidade e os contratos de trabalho têm o seu términus precisamente no 4º trimestre.

Este facto leva a que a taxa de desemprego na Região seja inflacionado sempre no 4º trimestre de cada ano, por força da sazonalidade do emprego. Por outro lado, se analisarmos a situação do mercado de emprego regional à luz dos dados disponíveis no Instituto do Emprego e Formação Profissional, verifica-se que cerca de 64% são do sexo feminino, se situam na classe etária dos 25 aos 49 anos de idade (60%), têm habilitações literárias de 4 a 6 anos de escolaridade (53%) e que o tempo de inscrição é inferior a três meses (63%). Isto vem reforçar a ideia da existência de uma elevada sazonalidade no emprego da região, e de pessoas ainda jovens e de baixa escolaridade.

A taxa de desemprego no período homólogo de 2001 foi de 4,3%, o que se traduz num aumento de 2,6%. De facto, este valor é elevado. Contudo, importa referir que este número engloba os cidadãos de países de Leste que a partir de 2001 passaram a ter acesso à inscrição nos centros de emprego. Muitos destes cidadãos, embora com habilitações elevadas, entram no mercado de trabalho regional como trabalhadores indiferenciados, engrossando a oferta de mão-de-obra. Sendo, provavelmente, mais cobiçados pelos empresários, em virtude de auferirem salários inferiores aos dos portugueses, acabam por contribuir para este aumento do desemprego.

Afinal, o desemprego no Algarve poderá não ser tão elevado, se considerarmos estes factores. Será esta situação assim tão diferente da que se viveu em anos passados?

Lara de Noronha e Ferreira
Economista e Docente Universitária
Jornal do Algarve 06.03.2003

 

Jornal do Algarve

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