logo NOVA ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Tesouraria social

Esta semana foi apanhado um funcionário da Segurança Social algarvia que desviava fundos para sua utilização pessoal. É interessante este caso, pela caricatura que representa numa instituição que apoia a solidariedade e justiça social. O acto do funcionário não deixa de ser um importante aviso à navegação dos vários organismos públicos. Os mecanismos de controlo pelos vistos não funcionaram. Como é possível que centenas de milhares de euros desapareçam durante um ano e só depois de uma denúncia o caso é detectado? Já não bastou o "desvio" dos custos previstos do novo edifício sede, que a anterior direcção regional não controlou...

Devemos saber aprender com os erros que se cometem. Neste caso, é necessário redefinir os mecanismos de controlo e auditoria, procurando prever este tipo de situações no futuro, embora não seja uma responsabilidade política, deve constituir uma preocupação ao formatar a estrutura e as chefias afim de evitar estes casos.

Os deputados em falta

Apetece-me também comentar o caso das faltas dos deputados ao plenário e comissões parlamentares. É um problema antigo. Considero que o próprio regimento deveria prever a expulsão das funções e a lei limitasse a possibilidade destas pessoas exercerem cargos públicos no futuro, nestes casos e em qualquer cargo de eleição ou nomeação. As faltas chocam-me porque denota não só a irresponsabilidade imprópria a um político, como o desprezo pela população que representa, o que se reflecte em graves prejuízos à imagem dos políticos junto da opinião pública. A criação de círculos uninominais poderia resolver em parte esta questão. Penso também que os Srs. Deputados, embora sejam da Nação, deveriam assegurar representação e alguns dias de trabalho nas regiões que os elegeram, ouvindo os problemas da população e recebendo os seus concidadãos, "desconcentrando" o trabalho parlamentar.

Hospitais S.A.

Gostaria de deixar uma reflexão sobre a onda de comentários e artigos publicados criticando o novo modelo de gestão da saúde. Começo por considerar que uma ponte deve ser projectada por engenheiros e construída pelos competentes profissionais de construção, pois se fosse ao contrário ou não ficava pronta, ou caía em pouco tempo. Não será preferível deixar a gestão de uma mega estrutura como um hospital na mão de gestores profissionais? Será preferível continuar a gerir como antes, com prejuízos acumulados e sem uma estratégia clara de compromisso com os objectivos definidos pela tutela? Critiquem, mas dêem alternativas construtivas, o modelo antigo está definitivamente ultrapassado, daqui a uns anos vamos avaliar este e estou certo que comparativamente estaremos melhor.

Para terminar, uma última reflexão sobre um assunto que me vem incomodando há alguns anos. Será que temos médicos em excesso para que se possa considerar razoável que um técnico de saúde com uma formação especializada, no valor de milhares de euros, seja transformado num gestor, sem a adequada formação, ou será que a velha cadeira de anatomia deve ser substituída por economia ou gestão?

Jorge Lami Leal
Técnico de Gestão
Jornal "Região-Sul" 12.02.2003

 

Jornal 'Região Sul'

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