
De facto, é um problema. A pouca produtividade de uns pode ter um impacto significativo na dos restantes. Hoje trabalha-se em equipa, ou pelo menos enche-se a boca com o conceito. Assim, basta que existam numa dada organização algumas pessoas com níveis de realização, interesse e capacidade de trabalho baixos, para que afecte os outputs dos restantes. Daí a que a organização seja afectada é um passo. E chegar à restante economia é um pequeno passo. Estas pessoas são como vírus. Bastam pequenos descuidos para que se alastre e infecte tudo. Existirá forma de rapidamente ultrapassar este mal? Não! Pode-se de certo minorar o impacto; reorganizar os recursos para que sejam optimizados. Não há receitas milagrosas nem standard. A formação (e a requalificação) das pessoas pode ser uma das saídas. Outra, provavelmente a que implica maior esforço, passa certamente por incutir o espírito empreendedor e o dinamismo desde tenra idade, no ensino básico, e por aí acima. Para tal, também os professores devem saber faze-lo. Depois, é necessário alargar os curricula dos cursos universitários para incluir visão estratégia, liderança activa e planeamento, entre outros. É também necessário estimular as actividades extracurriculares em todos os níveis do ensino. Para piorar, Portugal é um país burocratizado, demasiado centralizador e tradicionalista. Torna-se urgente evoluir. Queremos estar na Europa? Então vamos caminhar para ela! Aliado ao problema da baixa produtividade e, se quisermos, da excessiva burocracia, temos um Estado que dispersa recursos por uma grande área de actuação, desde a educação, à saúde, da produção de electricidade à venda de dinheiro, da produção de papel à distribuição de água, da venda de combustível ao fabrico de armamento... etc. Esta herança socialista, que implicou a nacionalização e burocratização da iniciativa privada, no pós 25 de Abril, veio dar o golpe final com a excessiva dependência e preponderância ideológica do sector público e, por via das nacionalizações, do privado, ainda hoje bastante visível. Penso que foi mais um contributo para a diminuição da competitividade e produtividade. A produtividade, para ser estimulada, requer um cenário de permanente concorrência. O dinamismo dos outros, muitas vezes, serve de condutor da energia e fomenta o desejo de melhorar. É a velha noção: "Se o vizinho tem um carro novo... Maria, vamos ao stand". Se numa análise rápida concluímos que esta afirmação pode ser trivial, o conceito subjacente indicia uma oportunidade. A gestão das ambições. Requer no entanto trabalho, dedicação e experiência. Defendo a privatização, ou a concessão, das áreas não essenciais do Estado. "Menos Estado, melhor Estado". A economia deve ser mais liberal, reservando-se à administração pública as funções de acompanhamento e fiscalização, não a produção. Para isso temos o sector privado. Certamente caminhamos neste sentido. Levará, no entanto, tempo. A chave do aumento da produtividade é, em síntese, a capacidade de cada um sentir que tem um papel claro e fundamental na economia, seja qual for a sua actividade.
Jorge Lami Leal
Técnico de Gestão Magazine do Algarve - Novembro de 2003 |
