logo NOVA ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Voando sobre um ninho de cucos

Na passada sexta-feira estourou mais um escândalo. Enfim, na realidade um escandalozinho, que será esquecido assim que deixar de ser novidade, ou com qualquer avanço no caso “Casa Pia”.

Alegadamente um helicóptero, contratado com dinheiro público para ajudar no combate aos incêndios, era utilizado para passeios “turísticos” por Lamego, com a conivência de membros dirigentes dos Bombeiros Voluntários, do piloto, entre outras pessoas, destacando-se o Coordenador Distrital da Protecção Civil

Como vem sendo (infelizmente) comum, todas as classes profissionais têm as suas maças podres. Considero, no entanto, apropriadas as demissões, suspensões, afastamentos e outras medidas rápidas que permitam dignificar estas entidades. Mas gostaria de “pensar alto” convosco sobre este problema.

Ainda que não tenham cobrado os “passeios”, estes senhores estavam a utilizar bens adstritos a uma importantes missão, o combate aos incêndios. Abusaram por isso do poder que lhes estava confiado. Em Democracia, isto é inadmissível. Intolerável. Com a agravante de manchar a imagem dos Soldados da Paz, logo depois de um Verão especialmente duro.

É evidente a falta de preparação que muitos dirigentes têm para lidar com a responsabilidade. É também evidente a falta de coerência e fundamentalmente de moral.

Este assunto fez-me formular algumas questões que gostava de deixar por aqui:

1. Quanto custa por ano o aluguer da frota de helicópteros para apoio ao combate aos incêndios?

2. Qual é no orçamento da Defesa Nacional, o valor inscrito para manutenção e outros custos directos e indirectos dos helicópteros?

3. Quantos pilotos têm as Forças Armadas (FA)?

4. Quantos helicópteros têm as FA (ou aviões que permitam estas missões)?

5. Que tipos de missões fazem estes aparelhos no decorrer do Verão?

6. Qual o custo da sua adaptação para uso no combate aos incêndios?

7. Fará sentido o Estado financiar o aluguer de helicópteros civis e investir depois na manutenção dos aparelhos militares?

Sou apologista do esforço de redução do peso do Estado na Economia. Dos modelos que permitam colocar em gestão privada serviços públicos, mas também sou favorável à racionalização máxima dos recursos públicos (especialmente nos ramos das FA), justificando o esforço dos contribuintes. Este é um caminho óbvio.

É fundamental caminhar para a resolução destes problemas que vão aparecendo, rapidamente como foi este caso, passando a imagem que estes comportamentos serão exemplarmente punidos. Mas é também essencial incutir desde muito cedo nas camadas mais novas da população, que estes comportamentos são errados e imorais.

Para terminar, os responsáveis pelos “passeios aéreos Lamego” dizem que lhes foi montada uma “cabala”!

Terem “organizado” os passeios e delapidado recursos públicos não terá ajudado, não???!!

Jorge Lami Leal
Técnico de Gestão
Jornal "Região-Sul" 01.10.2003

 

Jornal 'Região Sul'

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