logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Um Partido Político

Os partidos políticos são indispensáveis à democracia. Sem partidos torna-se difícil visualizar qualquer forma de democracia alternativa. Melhores ou piores são eles que disputam o jogo da democracia, conseguindo ou não chegar ao poder, fim último a que se destinam, pois só no poder têm a possibilidade de pôr em prática as suas propostas políticas.

Parece inegável que os cidadãos se têm vindo progressivamente a afastar da vida político-partidária, tecendo meia dúzia de ofensas sobre os políticos no activo sempre que se fala no assunto e optando por varrer as questões políticas do seu quotidiano.

Ao invés, o movimento associativo tem vindo a aumentar, como se pode ver na nossa região através de uma série de associações ambientalistas, culturais, cívicas, etc que se têm vindo a afirmar publicamente, apresentando propostas alternativas e cativando cidadãos para as suas causas.

Mas, como os partidos políticos serão sempre uma base indispensável ao regime democrático, foi minha opção falar num partido político. Não em termos de programa de governo ou de valores, mas sim no que concerne à actividade corrente.

Os militantes são a força maior de qualquer instituição e os partidos políticos não fogem à regra. Depois de darem as boas-vindas ao novo militante, é feita uma análise ao perfil de cada recém filiado de forma a serem agrupados em grupos de trabalho, produzindo desta forma análises e propostas para utilização dos diferentes órgãos. Por outro lado, é importante apostar na formação e actualização permanente das competências dos militantes, conseguindo por este meio aumentar a qualidade da intervenção política de cada um, logo do partido como um todo.

Envolver os militantes na discussão das questões mais relevantes torna-se útil para fazer aumentar o sentimento de pertença ao grupo, sendo vital que cada um possa fazer ouvir a sua voz, independentemente do seu estatuto interno ou externo.

Os indivíduos conceituados em termos técnicos, aqueles que já derem provas de valor nas suas profissões, são chamados a participar, numa óptica de reforço da capacidade técnica de intervenção do partido.

A intervenção pública é pautada pela lisura, insistindo fundamentalmente nas propostas a apresentar, evitando ataques pessoais e insultos gratuitos.

É incentivada a permanente renovação dos quadros, tentando injectar sangue novo no partido, a criação uma nova dinâmica. Não é permitida a perpetuação de ninguém em cargos de responsabilidade e procura-se desincentivar os que demonstram maior apetência para o bem-estar pessoal em vez do bem-estar comum.

A crença dos militantes nos valores e nas propostas do partido é genuína, predominando sempre o critério do interesse geral sobre os interesses de grupos, lóbis e afins.

Este é o meu partido político. Já imaginou o seu?

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 31.10.2002

 

Jornal do Algarve

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