logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Força Farense!

A situação actual do Sporting Clube Farense e da Farense Futebol, SAD são bastante preocupantes e exigem que algo seja feito. Faro e o Algarve não se podem dar ao luxo de perderem dois emblemas tão prestigiados a nível nacional e que representam a região nos mais diversos eventos desportivos.

Comecemos pelo clube. O Sporting Clube Farense, com mais de 90 anos de história, é o emblema desportivo Algarvio mais conhecido, com relevantes serviços prestados à comunidade e à região. Actualmente não tem o futebol profissional a seu cargo, desenvolvendo apenas as modalidades amadoras.

Apesar de a gestão actual ser razoavelmente equilibrada, permaneceram as dívidas do passado, oriundas dos tempos em que tinha o futebol profissional a seu cargo. Com fracas receitas próprias, as verbas obtidas através de alguns contratos-programa são manifestamente insuficientes para pagar as dívidas antigas. Quanto muito chegam para pagar as despesas do dia-a-dia.

Estas dívidas atrasadas são incobráveis e a parte devida ao Estado (Fazenda Pública e Segurança Social) deveria ser perdoada como contrapartida da disponibilização das suas infra-estruturas à comunidade durante alguns anos, ou de outra forma que se julgasse mais conveniente. Não havendo desporto profissional no clube, este perdão representaria um apoio ao desporto amador, fomentando o desenvolvimento do mesmo. Se tudo ficar na mesma, qualquer dia o Estado é dono da maioria dos estádios e ginásios do País….

Quanto às restantes verbas necessárias para a gestão do quotidiano, importa que as empresas vejam no clube uma forma de colocarem em prática a sua responsabilidade social, apoiando a prática desportiva dos jovens. Tendo hoje em dia uma direcção credível, as empresas não deverão temer qualquer utilização menos própria das verbas.

Os diferentes contratos-programa celebrados com as entidades públicas deverão reflectir os custos do clube com a prática desportiva, uma vez que este se substitui ao Estado nesta função e deve ser ressarcido desse facto.

A questão da Farense Futebol, SAD é mais complexa. Sendo uma empresa deverá beneficiar dos mesmos apoios que as outras empresas têm ao seu dispor. Um dos problemas vem logo da sua criação, onde lhe foram dadas todas as "polpas" ficando o clube com os "ossos", leiam-se dívidas. Era a única forma de manter o Farense na 1ª Divisão e assim foi feito. Por outro lado, várias dívidas da altura em que o Sporting Clube Farense praticava futebol profissional foram parar ao Farense, SAD, sendo esta obrigada a pagá-las para poder participar nas competições profissionais de futebol.

Com este panorama não é fácil a gestão de qualquer empresa. Ainda mas no futebol, onde as receitas dos clubes/empresas provêm em grande parte da venda de jogadores, jogadores estes que com 2 meses de salários em atraso podem rescindir ou ir embora livremente no final do contracto, perdendo o clube/empresa parte do seu património e não realizando mais-valias. Com problemas financeiros desde o início, a Farense, SAD nunca conseguiu estabilizar e realizar bons negócios, leia-se, investir em jogadores, valorizá-los e vendê-los com boa margem de lucro.

As empresas nunca apoiaram devidamente a Farense, SAD, sendo este o maior emblema desportivo do Algarve e um embaixador de Faro e de toda a região. Se no resto do País se vê as empresas da zona a apoiarem as suas equipas de futebol, no Algarve reina o "não quero saber, não me interessa", tendo a Farense, SAD escasso apoio do tecido empresarial regional. Mas quando o Farense está na 1ª Liga e a cidade fica com os restaurantes e hotéis com uma ocupação superior, ai está tudo bem… A publicidade no estádio demonstra bem este estado de coisas, apesar de neste aspecto parecer existir pouco trabalho feito, certamente devido à escassez de recursos humanos na SAD.

Já para não falar na RTA, que poderia utilizar o Farense e o Portimonense para divulgar a imagem da região, e opta por não o fazer. Já viram o quem está escrito nas camisolas do Marítimo, Santa Clara e Paços de Ferreira? Pois é…

No clube e na SAD a hora é de agir. Mas, mais do arranjar paliativos com duração limitada no tempo, importa conceber planos de negócio concretos, ficando a actividade desportiva dependente dos recursos financeiros expectáveis.

Força Farense!

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 27.03.2003

 

Jornal do Algarve

Comentar este artigo           Imprimir Imprimir

Voltar à Página de João Nuno C. Arroja Neves