logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Ideias à Solta

Agora que já se deu a "reentré" e que a "silly season" terminou, optámos por escrever pequenas reflexões sobre algumas questões que se nos colocam no dia a dia.

  • Porque será que os sindicatos aparecem a defender somente quem já está empregado e aparentemente se preocupam tão pouco com o emprego? Num Mundo globalizado, quer se queira ou não, quem não é competitivo em termos de legislação laboral, entre outros factores, não cria empregos, dizima-os. Esta obsessão pela estabilidade e eternidade do emprego a todo o custo, independentemente da situação económico-financeira das empresas, onde o patrão é invariavelmente o mau e o trabalhador a vítima, já não se adequa aos dias de hoje.
  • Será legitimo que os partidos com derrotas eleitorais venham através de sindicatos por si controlados pretender o poder na rua de que não dispõem no parlamento? E todo o tipo de associações com projecção mediática onde foram beber a sua legitimidade para a visibilidade de que dispõem? Isto é, uma associação com 20 membros terá a mesma legitimidade em termos de reivindicação do que uma com 20.000? Quem analisa e aprova? Como é que umas conseguem poder mediático e outras não? Se só existe o que aparece na televisão, temos que ter muito cuidado para separar o trigo do joio…
  • Após pipocas a cheirarem a fritos, seres humanos a mastigá-las, telemóveis a tocar e pessoas a falarem no dito cujo, o que mais podemos esperar do cinema? Alguém disse hamburguer com batatas fritas?
  • Por que será que no Algarve há sempre obras chatas e perturbadoras do trânsito em Julho e Agosto?
  • Com todos os partidos no Algarve contra as portagens na Via do Infante, sendo a EN 125 por todos considerada como uma rua regional, sem condições para ser apelidada de alternativa à Via do Infante, o Governo deverá optar por considerar o Algarve uma excepção e livrar-nos das portagens. Certo?
  • Que falta de chama mediática têm os políticos que só conseguem aparecer ao fim de 40 minutos de telejornal, logo depois dos enforcamentos nas prisões, declarações de profissionais da bola sobre prognósticos no fim do jogo, crimes de faca e alguidar e um pequeno espaço de anúncios com 15 minutos de duração. Porque será?
  • Se todo o País sabe que em 2004 o nosso défice terá que ser zero ou andar lá perto, se todos sabemos que só em 2005 poderemos ter alguma folga com as contas públicas devidamente arrumadas, adiantará alguma coisa entrar em greves e protestos estéreis que só nos diminuirão a produção e a, já fraca, produtividade? Importa fazer um pacto social forte, com a oposição, sindicatos e entidades patronais, para que se consiga um entendimento até 2004 que não fragilize em demasia qualquer uma das partes e garanta alguma "recompensa pelos sacrifícios" a partir de 2005.
  • O Primeiro-Ministro ganha muito pouco. Como é que uma pessoa que gere um país pode receber menos do que alguns gestores de empresas públicas que apenas gerem uma empresa? E quase o mesmo do que algumas secretárias de direcção de entidades públicas? E ao Presidente da República, o mais alto magistrado da Nação, aplica-se o mesmo raciocínio. E os deputados também só o são por uma de duas razões: amor à coisa pública ou carreirismo político. Menos deputados, melhor pagos que a qualidade a seguir aumenta, por favor!
  • As Universidades - pelo menos as públicas - têm a obrigação de adequar as vagas para os diversos cursos que oferecem com as necessidades do mercado de trabalho., entre outros critérios. Veja-se o caso dos professores, claramente em excesso em tempos de diminuição de alunos: um melhor planeamento no número de vagas nos últimos anos e o panorama actual seria mais animador. Alguém disse… Sociologia na Univ. Algarve?!!!
  • Quando é que acaba a moda de se cortar estradas e linhas do caminho-de-ferro sempre que alguém discorda de algo? Num Estado de Direito este comportamento sistemático não é admissível. O poder político tem que ouvir as pessoas antes que elas chamem as televisões para filmarem os seus boicotes…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 26.09.2002

 

Jornal do Algarve

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