logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Lóbi Algarvio

Uma das críticas apontadas aos Algarvios é a sua falta de união, o que se traduz na incapacidade de reinvidicar melhores condições para a Região Algarvia.

Relembre-se a criação de uma Confederação de Associações Empresariais, fundamentalmente para gerir um sistema de incentivos, que nunca agrupou todas as associações, e que terminou na falência. Jamais conseguiu ser uma voz agregadora dos interesses económicos regionais.

A outra Confederação junta associações empresariais e empresas e também nunca se afirmou como a voz da região.

Enuncie-se o rol de associações empresariais existentes, de tipo horizontal, sectorial, concelhio e, até, ao nível da freguesia. Tantas capelinhas viradas para dentro, cada uma preocupada consigo, com os seus pequenos poderes e vaidades. E veja-se a falta de uma entidade aglutinadora, que pudesse representar o Algarve fora da região, defendendo a uma só voz e com muito mais pujança os interesses regionais.

Que lóbi regional fazem os nossos deputados no parlamento? Apesar de vir no Estatuto do Deputado que "Os Deputados representam todo o País, e não os círculos por que são eleitos", esta norma da lei tem sido desprezada. Na prática, representam mesmo as regiões que os elegem e as suas aspirações. E o Algarve não foge à regra. Quantas vezes se encontraram os 8 para definirem formas de melhor defenderem os interesses do Algarve?

E as restantes forças vivas da região, das mais diversas áreas, têm alguma dificuldade de união, de trabalhar para um fim comum. Faz lembrar aquele provérbio "mais vale ser Rei por um dia do que Príncipe toda a vida", neste caso, mais vale ser Presidente de qualquer coisa, do que vogal de uma qualquer entidade aglutinadora, onde se corre o risco de passar despercebido!

Para não falar das Câmaras Municipais, tão preocupadas com o seu pretenso interesse municipal, que esquecem o interesse regional, como se viu no Parque das Cidades, "arrancado à força" pelo Ministro Isaltino.

E qual o resultado desta actuação regional desarticulada?
Refira-se a não obtenção da Faculdade de Medicina pela Universidade do Algarve, em competição com as Universidades do Minho e da Beira Interior.
Dê-se como exemplo o TGV que não passará pelo Algarve.
Veja-se a auto-estrada para o Algarve que chegou 10 anos atrasada e a Via do Infante que ainda não está pronta.
O cinema de Santo António, em Faro, um dos melhores espaços para espectáculos na região, fechou.
Veja-se o consumo de energias em guerras entre concelhos, como por exemplo para a localização do futuro Hospital Central.

No Norte, temos o caso da Associação Empresarial de Portugal que defende os interesses do Norte com extrema acutilância, enfrentando o poder central e outros sempre que estão em causa os interesses da sua região. E os próprios políticos defendem empenhadamente os interesses da sua região, muitas vezes contra os partidos políticos a que pertencem! Primeiro está a região, depois a obediência partidária.

Se as portagens na Via do Infante se tornarem uma realidade, a região terá mais uma oportunidade de se mostrar unida, defendendo que a EN 125 - uma rua regional, apelidada de estrada da morte - não constitui alternativa à Via do Infante e que sendo o turismo a principal actividade da região este custo extra vem representar mais um constrangimento ao desenvolvimento da região, em especial para os concelhos mais interiores. E que a Via do Infante não tem qualidade em termos de piso, estações de serviço e outros apoios para ser uma infra-estrutura paga. Para não falar do elevado custo que seria montar portagens numa via com tantas entradas e saídas…

Para quando um Algarve unido, a remar todo para o mesmo lado?

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 23.01.2003

 

Jornal do Algarve

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