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A Univ. Algarve do futuro

Enquanto ex-aluno da Univ. Algarve (UAlg), primeiro na licenciatura e depois no mestrado e durante todo este tempo todo estando ligado a uma associação mágica que dá pelo nome de AIESEC, quero o melhor para a Univ. Algarve. É nesse sentido, e apenas nesse sentido, que decidi esta semana abordar o futuro da minha Universidade. São algumas ideias, sem pretensões, que achei por bem passar para o papel.

Ligação Universidade - Tecido Económico (não sei porque este título há de ser sempre tecido empresarial, se hoje a economia vai muito para além das empresas)
Nunca concordei com a tese de que a Universidade deve ouvir as empresas e adequar os seus formados às suas exigências. Com o nível da maioria dos nossos donos de empresas (empresários é outra coisa…) o perfil pretendido para um gestor ou economista deveria ser para ai um merceeiro que soubesse de electricidade e carpintaria, para ser polivalente… Concordo que a UAlg deverá auscultar todos os sectores da sociedade algarvia, em especial os mais dinâmicos, mas o perfil do seus diplomados deverá ser algo mais avançado do que os pedidos do mercado de trabalho actual. A UAlg deverá formar indivíduos a pensar no futuro, com competências pluridisciplinares, polivalentes e, acima de tudo, com a disponibilidade mental para estar em permanente processo de aprendizagem. Este ver mais além é que vai cada vez mais diferenciar as Universidades.

A Dimensão
Acompanhando a tendência dominante na altura, a UAlg apostou maciçamente na quantidade. Logicamente a qualidade ressentiu-se, até porque a região não é dotada de quadros técnicos (leia-se professores) em número suficiente para apetrechar todos os cursos com igual qualidade, apesar de todas as "contratações" feitas noutras Universidades. Chegou a altura de apostar mais fortemente na qualidade.
Como é comum em alturas de crise, chegou a ocasião para reestruturar a UAlg, optimizando os recursos existentes. Cursos sem expectativa de empregabilidade a médio prazo e sem interesse específico para a região, professores sem capacidade pedagógica e parcos conhecimentos técnicos e "funcionários pouco competitivos" (aqueles com baixa produtividade, que passam o tempo a contar os minutos para a hora de saída, acomodados ao estatuto alcançado, e sem interesse em adquirir novas competências) são tudo situações que não interessam e onde importa intervir.

Empregabilidade
Sempre que se falava sobre a falta de empregabilidade de alguns cursos, os responsáveis logo diziam que a UAlg não formava diplomados para a região, mas para o País. Se esta resposta tem validade nalguns casos, certamente não o terá na maioria. E a UAlg tem que ter a coragem de unir cursos (para quê um curso de Gestão e outro de Gestão de Empresas dentro da mesma Universidade?), para aproveitar o melhor de cada um e torná-los mais competitivos. E a audácia de fechar, temporária ou definitivamente, cursos com fraca empregabilidade (que na vertente de arranjar emprego por conta de outrem, que na da criação do próprio emprego).
Outra questão relevante é a capacidade de estar em permanente observação sobre o que se passa na região, sendo capaz de ter uma atitude proactiva na resolução dos seus problemas ou no ganhar alguns desafios. Estas oportunidades são potenciadoras de emprego qualificado, que não deverão ser desaproveitadas.

Pólo Dinamizador
É crucial que a UAlg se apresente como um pólo dinamizador de novas tendências junto do tecido económico regional. Conseguir transferir novas tecnologias para as empresas e entidades da região, divulgar novas formas de produzir determinado produto, disseminar novos métodos pedagógicos, enfim, ter a capacidade de fazer a ponte entre o que de útil vai aparecendo por esse Mundo e as entidades que estão no terreno. Esta capacidade obriga a UALg a pegar no que é complexo e simplificá-lo para que todos possam entender.
É importante também que a UAlg saiba ser "chata". Que não se conforme. Não desista. Que, pensando mais além, consiga "picar" os actores regionais para que se mexam, inovem, mudem.

Prestígio
Há pouco tempo li na Revista do "Expresso" uma jovem de 16 anos, de Tavira, que dizia que queria ir estudar para Lisboa, pois a UAlg é pouco prestigiada. É contra esta ideia, que para alguns ainda existe, que se torna necessário agir.
A UAlg tem que aparecer mais. Divulgar tudo o que de bom faz. Os projectos de inovação, as teses de doutoramento (em versão "digest", linguagem acessível e explicando a sua utilidade prática), os diversos estudos, etc para que se apague da ideia das pessoas o infeliz "slogan" de há uns anos: "onde há clima para estudar", que reforçava o facto de ser uma Universidade à beira-mar plantada, quiçá oferecendo a hipótese de se estudar dentro de água ou ter aulas na praia…
O prestígio tem de advir do bom trabalho realizado e da sua eficaz divulgação.

Curso de Medicina
Considero o curso de Medicina importante para o Algarve, em especial pela esperada fixação de médicos na região. E com a construção do novo Hospital Central terá mais condições infraestruturais para se desenvolver. No entanto, tenho ouvido críticas à possível falta de Professores devidamente habilitados para ministrar este curso tão sensível. Para se fazer algo neste domínio terá que ser algo de qualidade indiscutível. Se assim não for, mais vale estar quieto…

Formação ao Longo da Vida
A UAlg tem-se virado exclusivamente para os diplomados, pessoas com habilitação superior. Mas, o universo das pessoas com necessidades de adquirir novas competências não se esgota nesse público já referido. A UAlg tem que se abrir à sociedade e criar cursos de curta duração, sem linguagem de catedrático, essencialmente práticos e destinados ao nosso tecido económico, nomeadamente gestores e técnicos qualificados.

Os Clientes
Os clientes (alunos) têm que estar sempre em primeiro lugar. Só depois vêm os interesses, legítimos, de funcionários e professores. E esta ordem deverá ser mantida apesar de todas as pressões…

Vamos lá ver as reacções a estas pequenas provocações…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 27.07.2006

Jornal do Algarve

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