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O Lóbi Algarvio

Ao ler o livro "25 Anos que Mudaram o Algarve", de Carlos Brito, edição da CCDR Algarve, 2005, recordei que a Universidade do Algarve tinha sido criada por Lei da Assembleia da República, aprovada por unanimidade, e após diligências levadas a cabo por todos os deputados eleitos pelo Algarve, independentemente da sua filiação partidária. Foram os deputados algarvios que, em cooperação, convenceram os seus grupos parlamentares a votaram favoravelmente o projecto. Diga-se que a Univ. Algarve é a única Universidade criada pela Assembleia da República e não pelo Governo.

Vinte seis anos depois, esta história continua a ser um exemplo da concertação que deveria existir entre os nossos deputados algarvios. Sim, porque em termos de deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Faro o PS apresenta cinco algarvios e o PSD apenas um. Os dois que faltam para completar os oito são os chamados pára-quedistas!

Nos vários dias que passam semanalmente no Algarve, juntem-se os seis às escondidas e vão almoçar. Não digam a ninguém, pois se disserem mais alguém saberá, este passará a palavra e quando os órgãos de comunicação souberem ambos os partidos vão querer tirar dividendos políticos e vai tudo pelo cano.

Durante este almoço cheguem a consenso sobre 4 ou 5 questões cruciais para o Algarve e discutam possíveis acções para que sejam concretizadas. Troquem números de telemóvel e endereços de correio electrónico. Não deixem nada escrito, nem mesmo bonecos na toalha de papel do restaurante. Todo o cuidado é pouco! Como praxe, o deputado mais novo paga a conta.

Novo almoço fica automaticamente marcado para 3 meses depois, em local secreto, a definir só em cima do acontecimento. O segundo deputado mais novo pagará a conta.

De volta à capital, interessem-se pelos compromissos assumidos e vão movendo influências. Dêem um toque à malta do CDS/PP, PCP e BE. É bom que, não tendo deputados eleitos pelo Algarve, também possam contribuir.

Os deputados que forem do partido que está no Governo comecem a marcar os Secretários de Estado chave para a nossa "agenda regional". Mais tarde os Ministros.

Estudem tecnicamente os assuntos e troquem mensagens de correio electrónico com os deputados do outro partido. Todos os argumentos válidos para defender o nosso projecto são relevantes.

Esta pequena história caricaturada serve apenas para demonstrar como é fácil os nossos deputados estarem unidos para nos defenderem melhor. E que, nestes assuntos, querelas partidárias e telenovelas sobre quem é o Pai da criança, são desprezíveis.

E acima de tudo é esta a sua obrigação. O Algarve não os elegeu para serem meninos bem comportados do respectivo Presidente do Grupo Parlamentar que nunca fazem ondas ou múmias que apenas sabem votar como o chefe manda. Se bem que actualmente poderá ser mais rentável politicamente dar-se bem com os poderosos do Partido em Lisboa do que atravessar-se para defender um qualquer projecto para a sua região. Até porque são os directórios dos Partidos em Lisboa que irão definir a lista de candidatos às próximas eleições legislativas. Esperemos que não existam casos destes entre os nossos…

Isolados podem questionar muitas vezes o Governo, pedir explicações, elaborar projectos de Lei, fazer requerimentos, promover conferências, mas estarão sempre sozinhos e com o outro partido a contra-atacar.

Juntos conseguirão uma muito maior capacidade para influenciar, pelo menos, um universo de mais de 2/3 dos deputados em funções. E ajudar mais ao desenvolvimento da região.

Vamos lá ver quando será o primeiro almoço…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Magazine do Algarve - Julho de 2006

Magazine do Algarve

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