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O Algarve dos biscates!!!

Fui recentemente a um jantar comemorativo que envolveu centenas de convivas. Se a comida era agradável (alguma vez comeu divinamente num evento destes? Quem já o conseguiu que levante o dedo! Cuidado para não deixar cair o jornal….), o serviço era … digamos que… amador! Sim, amador não ofende e define claramente a falta de profissionalismo! A falta de jeito era notória e a necessidade de formação evidente. Apesar da bonomia dos empregados, o facto de servirem, aleatoriamente, pela esquerda ou pela direita, a forma como seguravam na panela de sopa (que quase "sentavam" no nosso colo) e serviam a dita, enfim, ficou-se com a noção clara que tínhamos pela frente uns biscateiros simpáticos, porém biscateiros. Obviamente biscateiros!

É este o Algarve condenado. O das coisas baratas e com pouca qualidade. O do desenrasque. Do esquema. Da jogada. Do golpe. Do gato por lebre. Do bife que cai no chão e volta logo para o prato. De sacar a massa aos "camones".

Por melhor que seja o sistema tem um defeito inultrapassável à partida: só cai duas vezes no mesmo engodo quem quer. Ponto final. Parágrafo.

Esta região ainda não percebeu, e se percebeu ainda não se mexeu, que só pode ser competitiva com qualidade total. Qualidade em tudo. Porque ter qualidade aos bochechos, agora aqui, depois acolá surte quase o mesmo efeito do que não ter nenhuma!

A qualidade começa na manga ou na escada com que se sai do avião, passa logo pela simpatia dos funcionários que lá estão para receber e orientar os passageiros, prolonga-se pela higiene da casa de banho do aeroporto e continua, continua pelos dias fora e só termina quando o turista se voltar a sentar no seu lugar dentro do avião.

Alguns exemplos que prejudicam a nossa qualidade enquanto destino turístico:
" Será que as Câmaras Municipais não conseguem planear a sua vida de modo a que sejam evitadas obras chatas de Junho a Setembro?
" Sairá mais caro contratar profissionais da área da restauração ou arranjar um biscateiro?
" Porque será que a maior parte dos empregados do comércio ou são umas melgas que não nos largam enquanto não lhes dizemos que andamos à procura de uma mini-saia para oferecer à nossa avó que faz 95 anos ou então não nos ligam nenhuma e quase que se sentem ofendidos quando os abordamos. Onde está aquele olhar atento que só aborda o cliente quando vê que ele está interessado… Sabem, estas coisas estudam-se, treinam-se e aprendem-se nas acções de formação profissional!
" Será normal que uma parte significativa dos empregados do comércio e da restauração não saibam inglês? Não estou a falar do "Good morning, how are you, fine, thank you". Refiro-me à capacidade mínima de saber explicar o produto/serviço que está a vender… Com a oferta de formação profissional no domínio das línguas que existe na região, compete ao próprio profissional melhorar as suas competências para melhor se afirmar no mercado de trabalho. "Mas isso já não é para mim", "burro velho não aprende línguas", são algumas das frases no top +.
" Ninguém gosta dos patrões. Como os compreendo… Os patrões dão ordens, gritam, têm o pensamento no curto prazo, e só vêm a sua pequena arvore. Não contratam licenciados porque não querem "doutorzecos que só sabem teoria e não sabem fazer nada". Isto claro, quando chegam a tirar as mãos das algibeiras!!! Faltam-nos líderes empresariais, pessoas com visão, empreendedores e que tenham a capacidade de olhar para a floresta.
" Os acessos ao Aeroporto de Faro também não podem ser considerados uma via rápida nos meses de maior tráfego…
" A informalidade também não ajuda nada e a eterna falta de fiscalização também não.
" Nunca estamos felizes. Guardamos o sorriso para quando fechamos, finalmente, a porta do estabelecimento. É como se disséssemos: "pagam-me para fazer trabalho físico, mas a boa-disposição fica guardada para mais logo…"! Tecnicamente é a chamada "tromba". A expressão é exactamente a mesma caso vendam um rebuçado ou um Ferrari e a voz tão emotiva como a de qualquer multibanco mais modernaço.

Enquanto este Algarve do biscate der dinheiro, não será alterado. Penso que este é o cerne da questão!

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 11.05.2006

Jornal do Algarve

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