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O Fim da Era das Facilidades

O Mundo mudou. Portugal também mudou. E agora todos nós vamos ter que mudar. De livre vontade ou a contragosto. A bem ou a mal.

Já se percebeu que o Estado é uma sanguessuga, um monstro, um comilão incontrolável que devora grande parte da riqueza do País sem prestar os serviços em conformidade com os meios que ingere. Algum dia teria que ser posto de dieta. E depois das primeiras iniciativas do Governo do Dr. Durão Barroso, o Eng. José Sócrates está também a tentar pôr o monstro numa cura de emagrecimento. Aguardemos pelos resultados que, a bem de todos nós, esperamos que sejam positivos.

As reformas principescas dos Funcionários Públicos, os excelentes benefícios fiscais, as fugas ao Fisco e à Segurança Social, a admissão desenfreada de Funcionários para o Estado, são tudo questões que o Estado vai racionalizar e não deverão voltar ao que eram nos próximos anos.

Se o Estado vai gastar menos, e espera-se que gaste também melhor, também terá de fazer opções em termos de áreas de actuação. Tem que definir qual a sua missão e actuar em conformidade. E o exemplo terá que chegar às autarquias locais, que também deverão ter uma gestão mais eficiente.

Do outro lado, o sector privado também está em dificuldades, pois a globalização pô-los a competir não apenas com empresas da mesma cidade ou região, mas de todo o Mundo. Inovar, racionalizar custos e aumentar a exigência é uma opção dos nossos empresários. A outra é fechar as portas.

No meio deste clima de exigência, vindo de todos os lados, os cidadãos também vão ter de mudar de vida. O que antes era assegurado, pode agora estar em dúvida. O mesmo emprego para o resto da vida começa a ser uma miragem. A resposta só pode ser uma: exigência.

Têm vindo a público várias notícias sobre o facto de os estudantes estrangeiros terem cá das melhores notas nas suas turmas. Os profissionais Portugueses no estrangeiro são considerados dos melhores. A justificação é a mesma: exigência! Os estrangeiros sabem que só terão boas chances no nosso País se tiverem bons níveis de qualificação e que se forem os melhores nas suas turmas, mais hipóteses terão. Os nossos emigrantes percebem que só se trabalharem melhor ou igual do que os naturais dos seus Países terão possibilidade de singrar.

Mas, quando analisamos a realidade algarvia o que é que vemos? Segundo dados do IEFP, referentes ao final de Outubro do corrente ano, 490 desempregados inscritos nos Centros de Emprego com idade inferior a 25 tinham 6 ou menos anos de escolaridade e destes, 38 tinham apresentavam menos de 4 anos de escolaridade. No total dos desempregados inscritos, 5.848 indivíduos dispunham de 6 ou menos anos de escolaridade.

Existe claramente uma faixa da população que ainda não é exigente consigo própria e não percebeu que no futuro os mais bem preparados ganharão a dianteira e os outros ficarão para trás. E estes 490 indivíduos residentes no Algarve ainda são jovens e ainda vão a tempo de fortalecer as suas qualificações e aptidões.

Para não falar dos jovens empregados que dispõem de baixas qualificações, o que lhes poderá tornar o futuro também incerto. Veja-se os desempregados com quarenta/cinquenta anos que afirmam que são velhos demais para trabalhar e novos demais para a reforma. Dizem isto porque nunca se preocuparem com a chamada "Aprendizagem ao Longo da Vida" de forma a se manterem actualizados nos mais diversos domínios. Hoje o que sabem fazer vale pouco. É crucial que o que sabemos fazer tenha um bom valor no mercado de trabalho. De vez em quando devemos questionar-nos: se eu ficar desempregado, o que eu sei fazer será apetecível para o mercado de trabalho? Se a resposta for negativa, é urgente tomar uma atitude.

Os tempos estão mais difíceis, mais exigentes. Mas, é nestas alturas que a necessidade aguça o engenho e surgem excelentes oportunidades.

Portugal e o Algarve ainda vão a tempo de vencerem este desafio, apesar de irem para o intervalo a perder. A ver se damos a volta a isto na segunda parte…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 17.11.2005

Jornal do Algarve

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