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Independentes do quê?

Sempre que temos eleições à porta volta à baila a velha estória dos candidatos independentes. São sempre apresentados como uma mais-valia, uma lufada de ar fresco no panorama político-partidário, uma garantia de isenção e competência.

Ser Ministro, Deputado ou Presidente de Câmara independente significa o quê? Que poderoso mistério estará por detrás desta palavra mágica? Esta palavrinha tão na moda apenas reflecte que o Sr. X não preencheu a ficha de militante de um partido. Ou que a tendo preenchido, mais tarde rasgou-a. Apenas isto. Nada mais.

Ser independente, por si só, não significa real independência perante os vários lóbis e poderes instalados, nem maior capacidade técnica ou política.

O único significado que o facto de alguém ser independente, aliás, não-filiado, tem em política é o facto de não ter de prestar contas a ninguém. Apenas à sua consciência.

O independente (não-filiado) não tem qualquer tipo de obrigação, hoje está com "A", mas amanhã está facilmente com "B", uma vez que não tem qualquer compromisso a não ser consigo. Se está comprometido com os ideais de algum partido porque não se filia nele?

Concordo que muita coisa vai mal nos nossos partidos políticos, que deveriam ser mais abertos à sociedade civil, mais democráticos internamente e mais ligados à política real do que às politiquices, mas são a melhor forma encontrada até ao momento de se viver em democracia. E todos eles dispõem de pessoas competentes e capazes no seu seio.

Um Presidente de Câmara não pode ser destituído, salvo por decisão do tribunal. A Assembleia Municipal não o pode destituir, o que é algo que não se compreende muito bem. Digamos que durante 4 aos é praticamente inamovível e só responde perante quem lhe apetecer. Se for filiado num qualquer partido existe uma obrigação mínima de prestar contas às estruturas do seu Partido, sob pena de sofrer sanções internas. Se não for filiado, e caso o deseje, serão 4 anos de reinado absoluto, fazendo o que bem lhe apetece, sem prestar contas a ninguém. Aliás, no dicionário vem como definição de independente: "que se governa por leis ou estatutos próprios".

O que se pretende de um qualquer político com funções executivas é que seja honesto, competente e se preocupe genuinamente em melhor a qualidade de vida dos que o elegeram. Nestas qualidades já se subentende que deverá ser independente de todos os lóbis e procurar gerir de forma justa a coisa pública. O facto de ter um cartão a mais ou a menos na carteira não tem grande significado perante os atributos atrás referidos.

Mas, esta veneração pelos independentes advém em parte do desgaste sofrido pelos grandes partidos políticos nos órgãos de comunicação social. Diversos casos de políticos que tiveram ou têm processos em tribunal contribuíram para lhes denegrir a imagem aos olhos da opinião pública. O que não se pode admitir é o insulto gratuito e populista, lançando um anátema generalizado sobre os candidatos do PSD e do PS às próximas eleições autárquicas, como fez o Coordenador do Bloco de Esquerda/Algarve, José Manuel do Carmo, no Jornal do Algarve do passado dia 11 de Agosto, onde afirmou que "uma variante da mesma política que entre o rosa e o laranja acaba sempre em corrupção, negócios e interesses privados". Ou este senhor tem provas e as apresenta às entidades competentes ou está a prestar um péssimo serviço à democracia, lançando lama sobre pessoas honradas. Será que o BE tem o monopólio da tal independência?

Caros líderes políticos regionais esqueçam lá o tal pormenor dos independentes e apresentem-nos como candidatos autárquicos o que a sociedade algarvia tem de melhor.

Porque independentes somos todos nós até prova em contrário…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 18.08.2005

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