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Para um Algarve com Qualidade

Todos estamos de acordo com a necessidade de termos qualidade para sermos competitivos. Só com a produção de bens e serviços de qualidade a região Algarvia se pode afirmar, em especial no sector turístico (à volta do qual gira a maior parte da economia regional).

Infelizmente a qualidade não se decreta. Tal como foi agora publicado o POOC ViIamoura-VRSA, era bom que o Governo publicasse uma Resolução do Conselho de Ministros em como a partir de agora seríamos uma região com qualidade. No dia seguinte tudo se transformaria, como que por um passe de mágica. Os patrões passariam a empresários, os empregados desqualificados a qualificados, os mal-educados a simpáticos, os menos asseados a imaculados, os "pica às 9h e às 17.30h" a empregados entusiastas, os responsáveis baldas a dar o corpo ao manifesto, os subsídio dependentes a cidadãos empreendedores, enfim tudo seria como gostaríamos que fosse. Felizmente não é possível, pois um Algarve todo certinho, em que tudo fosse perfeito, seria uma grande maçada… como iríamos viver sem obras incómodas em pleno verão?

Infelizmente a qualidade não pode ser proclamada. Ainda me recordo de um campanha da RTA há mais de 10 anos em que o símbolo era uma laranja e o slogan "Algarve é qualidade". Tal como não se decreta, a qualidade também não anuncia. A qualidade é uma senhora caprichosa, exigente e que não se dá com qualquer um.

Felizmente a qualidade pode ser incentivada e acarinhada. O Algarve tem umas "ilhas" de excelente qualidade, rodeadas de "águas" de todo o tipo: do péssimo ao óptimo. Este contraste, por vezes lado a lado, em nada ajuda a região, sendo necessária uma homogeneidade mínima por todo o Algarve. Uma vez que não se pode obrigar ninguém a ter qualidade, pode-se incentivar essa qualidade, acarinhando-a e fazendo dela uma bandeira da região.

A ideia passa por um selo. Um selo de qualidade que seria atribuído, numa primeira fase, a restaurantes, cafés, hotéis e similares, que cumprissem uma série de requisitos de qualidade (regra principal: nunca deixar um burocrata tomar conta deste processo, senão vai criar um mecanismo tão complexo que nunca será posto em prática!). Um processo simples, transparente e que tivesse a apoiá-lo a RTA, Associações Empresariais, Câmaras Municipais, AMAL, CCDR, Dir. Reg. Min. Economia, Sindicatos, etc. Seria criada uma entidade que iria avaliar os candidatos, atribuindo-lhe depois o tal selo ou não. Se a candidatura custasse entre 20 e 100 euros (dependendo da dimensão) teríamos a estrutura já financiada e a criar dezenas de postos de trabalho. Poderia haver dois tipos de selo: o selo "Q" de qualidade e o selo "QT" de qualidade e atestando que tem produtos tradicionais da região, por exemplo.

Mas, qual o interesse das empresas (restaurantes, cafés, hotéis, etc) em terem o selo? Se mal um turista chegasse ao Algarve visse publicidade a anunciar que deve preferir estabelecimentos com o "Q", que esses estabelecimentos são recomendados, que cumprem os regulamentos em vigor, etc, certamente que ao fim de algum tempo o tal selo seria procurado pelo turistas como uma garantia. O Estado passaria a adquirir serviços fundamentalmente nessas empresas "seladas". As empresas mais relaxadas iriam ser forçadas a alcançar um patamar de qualidade necessariamente superior para alcançarem o tal selo, única forma de garantirem os seus clientes. Seria algo semelhante a um "Guia Michelin", com a divulgação das empresas referenciadas e "clientes mistério" a testarem periodicamente os diversos serviços.

Mais tarde poder-se-ia passar para outros sectores de actividade, como o comércio a retalho, oficinas, etc.

O segredo de um projecto como este, como a maioria das coisas na vida, é ser o mais simples possível e longe de pessoas complicativas.

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 14.07.2005

Jornal do Algarve

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