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Água e Petróleo

Embora a associação de água e de petróleo possa parecer estranha, ela resulta apenas de uma grande coincidência entre eles: são escassos, caros e com tendência para encarecer.

Comecemos pela água. Com esta seca que parece não terminar, com milhões de euros de prejuízo contabilizados, fomos obrigados a reflectir sobre este recurso aparentemente tão abundante nas nossas casas, mas que poderá estar em perigo daqui a uns anos se nada for feito.

Lembro-me de ouvir dizer há anos atrás que a água seria o petróleo do Séc. XXI. Compreendo agora esta afirmação na sua plenitude, mas no sentido da maior importância da água em termos estratégicos, e não, para já, como significado da menor relevância do petróleo.

Se a água escasseia teremos que a reter e utilizar de forma mais eficiente. Assim parece relevante a construção da Barragem de Odelouca, para que o barlavento tenha uma opção viável para se abastecer. E não menos importante é a substituição/reparação das condutas que transportam a água desde onde está armazenada até às nossas casas. Segundo Poças Martins, Presidente da empresa Águas de Portugal, "Estamos num país onde muitos sistemas têm perdas de água superiores a 50 por cento. Se hoje tivéssemos perdas de 15 a 20 por cento, as tarifas até poderiam baixar." Essa água é desperdiçada em grande parte devido a graves problemas nas infra-estruturas municipais. Esta situação tem que ser alterada rapidamente e, caso seja possível, recorrendo ao que ainda restar do QCA III. Não se admite que em 2005 se perca tanta água no seu percurso até às nossas casas. E depois vêm-nos pedir que poupemos, que coloquemos garrafas de plástico no autoclismo para gastar menos água, que escovemos os dentes com a torneira fechada… Finalmente, vêm agora anunciar que a água terá que aumentar de preço.

O consumidor é que irá pagar a dupla factura. A da seca e a da ineficiência de alguns actores públicos.

No petróleo temos outro filme engraçado. Não o produzimos, apenas o refinamos. Mas, Portugal tinha a obrigação de estar muito mais avançado na produção de energias alternativas ao petróleo. Uma economia moderna não pode ficar dependente do preço de um factor de produção que, caso desapareça, pode paralisar o País.

É crucial e evidente para todos a necessidade de um plano para o aumento da produção de energia "made in Portugal", para reduzirmos a nossa dependência do Petróleo e para melhorarmos a performance da nossa balança comercial.

Urge fomentar o aparecimento de mais meios de transporte não movidos a derivados do petróleo. Será o álcool uma boa solução, como existe no Brasil? Será melhor o gás? E a energia solar, não serve? Porque será que o sector automóvel não apresenta mais viaturas não movidas a derivados de petróleo? Será apenas devido à força das companhias petrolíferas?

Não temos condições para apostar em energias renováveis, tais como a solar, a eólica, a das marés e a hidroeléctrica, que apresentam como grande vantagem o facto de não se esgotarem, ao contrário dos recursos energéticos limitados (como os carvões minerais, o petróleo e o gás natural)?

O consumidor é que irá pagar a dupla factura. A da subida brutal do preço do crude e a da ineficiência de alguns actores públicos.

Dois exemplos, duas facturas. Tudo pago pelo cliente habitual…

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 07.04.2005

Jornal do Algarve

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