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O País na encruzilhada

O País vai para eleições legislativas no próximo dia 20 de Fevereiro. Até lá muitas promessas serão feitas, objectivos enunciados e planos apresentados.

O ponto de partida será a situação actual do País. Para uns esta é uma desgraça, onde tudo corre mal. Para outros a situação não é famosa mas, não é desesperante. Vários indicadores já estiveram bastante pior e, com a previsível retoma que deve estar a chegar, tudo será mais fácil. Incluo-me neste último grupo.

A intervenção do Estado na criação de emprego, de forma directa, tem vindo a ser cada vez mais reduzida, graças ao excesso de funcionários ao serviço do Estado e ao facto de terem entrado muitos trabalhadores até 2001. O passo seguinte será fundamentalmente de racionalização dos meios humanos, colocando os que existem onde são mais necessários.

Com o reduzido crescimento da economia nestes últimos anos, fruto em grande parte da situação económica mundial, é impossível reter a marcha do desemprego. Só com o investimento a subir, a economia a crescer, será possível iniciar a criação líquida de postos de trabalho. Quem disser que vai criar milhares de postos de trabalhos durante os próximos quatro anos está a prometer algo que depende essencialmente do comportamento da economia, pouco dependente da acção governativa. A tendência do desemprego é decrescer, até porque continua a aumentar a um ritmo cada vez menor.

A questão das finanças públicas tem sido outro tema dominante. Os famosos 3% do défice são para cumprir sempre, mesmo que sejam uma mentira descarada! Todo a União Europeia o sabe e todos o fazem. Porque haveremos nós de ser os anjinhos? A Alemanha em 2004 voltou a não cumprir os 3% pelo terceiro ano consecutivo e pouco sofrerá. Se fosse Portugal a situação seria diferente…

Os eleitoralismos bacocos nesta matéria são bastante nefastos. Todos sabem que enquanto o crescimento do PIB não for maior, não haverá grandes hipóteses de cumprirmos os 3% sem receitas extraordinárias: com uma despesa rígida e uma receita muito dependente da fogosidade da economia e com uma economia paralela poderosa, alguma coisa poderá ser feita, mas sempre insuficiente. Estranha-se o comportamento de alguns partidos de esquerda que perfilham da ideia de que deveríamos rebentar com o orçamento, gastar o que fosse necessário para que ninguém sentisse a crise, como se não houvesse amanhã e as insanidades de hoje não tivessem custos pesados no futuro.

As eleições legislativas voltam a ter um misto de candidatos dos respectivos círculos eleitorais e de pára-quedistas.

Sendo os deputados de todo o País, devendo defender Portugal como um todo sem privilegiar o seu circulo de origem, qual a razão da existência de círculos eleitorais na sua maioria coincidentes com os limites dos distritos? Certamente o legislador pretendeu criar um vínculo especial entre os naturais de determinado círculo eleitoral e os seus deputados, não tendo adivinhado a existência de tanto pára-quedista.

A solução poderia passar pela criação de um círculo eleitoral nacional, com 30 ou 40 deputados, onde estariam os chamados deputados nacionais, deixando os restantes deputados serem eleitos pelos seus distritos de residência.

Para já não falar dos círculos uninominais, uma situação com necessidade de cuidada ponderação, pois tanto aproxima o eleito do eleitor, como poderá provocar o caciquismo local.

Temos algumas questões a melhorar. O desafio da produtividade. A necessidade de maior investimento em ciência, investigação e cultura. O reforço das competências dos nossos profissionais. Estas e outras questões são relevantes para construirmos o nosso futuro partilhado.

Reparem nos telejornais e contem as notícias positivas que são transmitidas. Não deverão ser mais do que 5%/10% do total. As boas notícias não são notícia e quanto pior melhor são algumas das premissas da informação que nos chega casa adentro.

Enquanto não ganharmos a guerra da auto-estima, enquanto não pensarmos que quando queremos somos bons, muito bons, do melhor que o Mundo tem para oferecer, pensaremos sempre que tudo está mal e tenderá a ser cada vez pior.

Força… em nome de Portugal!

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Magazine do Algarve - Fevereiro de 2005

Magazine do Algarve

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