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A Era dos Códigos

O comum mortal tem cartão Multibanco. Aliás, tem mais do que um. E tem telemóvel. Alguns têm dois de redes diferentes. Há quem consiga ter três e cobrir todas as redes. O cartão Visa já é uma banalidade. Há quem tenha mais um só para fazer compras na Internet.

Não está a fazer muito sentido, não é? Pense bem… todos estes exemplos têm em comum o facto de terem… códigos! Sabe de cor os códigos de todos os seus cartões Multibanco e visa e dos telemóveis? Duvido…. Ou então utiliza sempre o mesmo código…

E os prédios com portas de entrada inteligentes, que se abrem se inserirmos um determinado código? E o rádio do carro que também tem código! Não se esqueça do cartão do combustível, tem código! Até os supermercados disponibilizam cartões com códigos…

A vida não era difícil nestes tempos. Meia dúzia de códigos, alguns até repetidos. A vida era calma. Os passarinhos chilreavam.

De repente a Internet modificou tudo. Com as paranóias da segurança, cada "internauta" foi transformado numa repositório de códigos, todos complicadamente diferentes.

Eu explico. Devo ter cerca de 50 códigos. Para cada coisita por mais simples quê seja, temos um nome de utilizador e uma senha.

Por cada conta de e-mail, temos que ter um nome e uma senha. Temos a ligação à Internet em casa e temos que saber o nome e a senha. Depois temos o sítio da Direcção Geral dos Impostos, para o qual temos que saber o nosso nº contribuinte e uma senha.

Analisemos agora o "homebanking", que nos obriga a ter um número de acesso e duas senhas (para diferentes transacções) e, ainda por cima, por vezes eles é que definem o código e não se pode alterar. Tente memorizar a senha "YGXS7814" e quando acabar de ler o artigo tente repeti-la!

Podemos inscrever-nos em diferentes sítios de jornais, revistas, gasolineiras, Instituto Nacional de Estatística, Diário da República, lojas de informática, cadeias de hotéis, supermercados, clubes de futebol, livrarias, lojas diversas, centros comerciais, etc. Cada uma destas inscrições representa um nome e uma senha.

Temos também a possibilidade de criar um "blog" ou um sítio para colocarmos a nossa página pessoal na Internet e temos vários códigos (de quem nos aloja, do contador, dos comentários, etc).

Há pouco tempo surgiram os jogos da Santa Casa na Internet. É mais um nome e uma senha. A senha tem que ter letras (minúsculas e maiúsculas) e números, não fosse um de nós arranjar um nome de que se conseguisse lembrar, tipo totoloto!!! Não, tem que ser algo do tipo "2004TOTOloto" ou "Lotaria1234". Muito simples de memorizar.

No emprego também temos códigos. Quando ligamos o computador temos a nossa senha para entrar na rede. Depois, temos aquele documento altamente secreto que protegemos com … uma senha. Em todas as aplicações do serviço, temos que ter um nome e uma senha. Para ajudar, nunca nos deixam ter o mesmo "nome" em todas as aplicações, ou seja, numas o "nome" é a primeira letra do nosso primeiro nome e o nosso último nome e noutras o primeiro e o último nome, por exemplo.

Para juntar a isto tudo, uma vez que temos poucos nomes e senhas para decorar, quando nos enganamos mais do que três vezes, muitas vezes... o serviço fica bloqueado.

Tanto nome e tanta senha. Tanta informação para decorar.

A solução que arranjei foi…uma cábula! Na era digital, arranjar um bocado de papel para conseguir organizar a minha vida no mundo imaterial! Ou então, dava em louco!

Agora a sério, ainda se lembra da senha que lhe pedi para memorizar?

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 25.11.2004

Jornal do Algarve

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