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Os Partidos e os seus Militantes

Os partidos políticos são das poucas organizações que dispõem de mão-de-obra disponível e gratuita. Um militante normal inscreve-se no partido com que se identifica, ideológica ou pragmaticamente, e fica à espera de ser chamado para contribuir. Muitas vezes apenas só dão pela sua existência na altura de contar cabeças para eleições …

Tendo vindo do movimento associativo universitário, o que mais estranho é o facto de haver tanto que fazer no âmbito das normais atribuições dos partidos, existirem recursos humanos disponíveis e ser feito muito pouco.

Comecemos pela qualificação dos militantes. Se um partido dispõe de um activo humano valioso, que o irá representar em diversos locais (Assembleia Municipal, Juntas e Freguesia, etc), porque não apostar em qualificá-lo, de modo a ter um maior conhecimento sobre as diversas áreas da governação (local ou nacional), mas também sobre aptidões pessoais (falar em público, gestão de equipas, criatividade, gestão de projectos, etc) e sobre a política pura e dura (a ideologia do partido, as ideologias dos outros partidos, marketing político, etc). Os exemplos dados são … apenas algumas ideias de momento. Certamente haverá outras áreas relevantes que aqui poderiam ser incluídas.

Não se trata de qualquer moda vinda da formação profissional, tem a ver com a necessidade de os partidos terem os seus militantes, aqueles que os vão representar nas mais diversas ocasiões, devidamente preparados e aptos a prestar um contributo de maior qualidade. Prende-se com a natural rivalidade entre partidos, onde todos pretendem ser os melhores, ter as melhores ideias e os melhores militantes. É o alcançar da excelência.

Repare-se que as juventudes partidárias já começaram a realizar eventos deste tipo para uma pequena parte dos seus militantes, as chamadas "Universidades de Verão". Importa agora alargar estas iniciativas às "Jotas" e aos "seniores" das regiões.

Outra questão fundamental, que cronologicamente ocorre antes da qualificação dos militantes e prende-se com o acolhimento dos militantes no partido. O militante anónimo, logo após a sua inscrição, deveria ser convidado a visitar as instalações do partido, onde lhe seriam apresentadas as diversas iniciativas em curso e em plano e ser convidado a participar nalguma iniciativa que lhe agradasse mais. Sendo Governo ou oposição, há sempre trabalho útil para ser feito pelas estruturas partidárias.

Com estas duas iniciativas, acolher os militantes nos partidos e qualificá-los, teríamos partidos com maior intervenção, militantes mais activos e uma melhoria da qualidade da vida política.

A quem é que isto não interessa?

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 14.10.2004

Jornal do Algarve

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