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O Abandono Escolar e o Futuro

O abandono escolar é daqueles problemas que não se compreende muito bem como é que ainda existem no dealbar do século XXI. Segundo dados do Ministério da Educação (ME/DAPP (2003)) referentes ao ano 2001, na região Algarvia a taxa de abandono escolar (total de indivíduos, no momento censitário, com 10-15 anos que não concluíram o 3.º ciclo do ensino básico e não se encontram a frequentar a escola, por cada 100 indivíduos do mesmo grupo etário) foi de 2,4%, sendo a média nacional de 2,7%. Estes 2,4% parecem um valor baixo, mas se nada for feito para que estas crianças voltem à escola terão sempre um percurso profissional complicado.

Outro indicador interessante é a taxa de saída precoce (Total de indivíduos, no momento censitário, com 18-24 anos que não concluíram o ensino secundário e não se encontram a frequentar a escola, por cada 100 indivíduos do mesmo grupo etário) que no Algarve é de 44,5%, contra 44,8% de média nacional. Uma vez que a partir do ano lectivo que se inicia em 2009, o ensino obrigatório passa a ser de doze anos, partimos para este objectivo em claro défice.

Para finalizarmos a análise de indicadores, vejamos a taxa de aproveitamento no ensino secundário. O Algarve tem o valor mais baixo de todo o Continente (56,2%), sendo o mais elevado na região de Entre Douro e Vouga com 70,8%. O chamariz da actividade turística (que se inicia antes do final do ano lectivo) poderá ser uma das explicações para esta situação.

Estes indicadores referem-se ao início do processo educacional, contendo elementos até ao final do ensino secundário. Mas, passado o ensino secundário, o ensino universitário bate à porta.

Segundo um estudo publicado não Boletim Económico (Março 2004) do Banco de Portugal, intitulado "Mitos e factos sobre o mercado de trabalho português: a trágica fortuna dos licenciados", efectuado por Pedro Portugal, investir num curso superior é um excelente negócio, garantindo uma taxa real de rentabilidade (15 por cento), o que é claramente superior ao retorno esperado de outras aplicações financeiras.

Ainda segundo o mesmo estudo, analisemos o salário líquido médio para indivíduos com idades entre os 30 e os 39 anos, consoante a sua habilitação escolar. Se tiver o 1º Ciclo (4 anos) o seu salário será de 476€, com o 3º Ciclo (9 anos) auferirá 645€, tendo o Secundário (12 anos) receberá 778€ e se alcançou a Licenciatura (16-18 anos) o salário chegará aos 1187€. O salário de um licenciado será, em média, 149% superior ao do indivíduo com o 1º Ciclo, 84% superior ao indivíduo como 3º Ciclo e 53% superior ao indivíduo com o ensino Secundário.

O estudo também distingue as licenciaturas, não representando todas o mesmo nível de rendimento. As mais lucrativas as das áreas das Engenharias, Medicina, Informática, Farmácia, Economia e Finanças. As menos lucrativas são nas áreas da Educação Especial e Reabilitação, Artes decorativas e Design, Ensino, Artes Plásticas, Planeamento Regional, Gestão Hoteleira, Tradução, Relações Internacionais, Engenharia Florestal/silvicultura e Arquitectura e Urbanismo.

Temos neste artigo as fases inicial e final de um percurso óptimo no sistema de ensino. Se o ideal será que cada vez mais indivíduos alcancem o Ensino Superior, para que possam ter um melhor nível de vida, e até porque é um bom negócio face aos custos e proveitos envolvidos, urge atacar no início do processo (tirando o pré-escolar que também necessita de continuar a ser melhorado), fazendo com que o abandono escolar seja cada vez menor) sendo necessário criar as condições para isso), para que possamos cada vez mais ter uma população qualificada, em condições de lutar com o resto do País e com o resto dos parceiros Europeus, em especial com os novos 10 que detêm qualificações superiores às nossas.

Esperamos que o novo projecto do Governo "Eu não Desisto.", que pretende prevenir o Abandono Escolar tenha sucesso e consiga reduzir esta calamidade nacional.

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 20.05.2004

Jornal do Algarve

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