O Desafio da Qualificação
A nossa região tem de vencer o desafio da qualificação. O tempo urge. Até 2006 temos que aproveitar os fundos comunitários. Depois tudo será mais difícil.
As habilitações escolares dos nossos habitantes são bastante fracas. Segundo o Censos 2001 (INE) a taxa de analfabetismo era de 10,4% em 2001, contra 14,2% em 1991. Dez anos para melhorar 3,8 pontos percentuais (pp)!
Sobre o mesmo indicador refira-se que Alcoutim apresenta uma taxa de 29,4%, Aljezur 20,7%, Monchique 20,3% e Castro Marim 19,7%. Os Concelhos mais pobres da região apresentam os piores indicadores. Sinal que algo tem de ser feito em prol de um desenvolvimento mais equilibrado no Algarve.
Segundo o mesmo Censos, apenas 157.137 indivíduos têm o 9º ano de escolaridade ou mais, o que representa apenas 39,8% da população. E somente 39.452 atingiram um nível de ensino médio ou superior (10% da população residente). Muito pouco!
Ainda sobre o Censos de 2001, mas analisando a população empregada (180.395 indivíduos), verificamos que 93.930 não atingiram o 9º ano de escolaridade (52% do total dos empregados). A nossa mão-de-obra dispõe de fraca habilitação escolar, o que será sempre um entrave, quer à frequência de acções de formação profissional (falta de bases) para adquirir novas competências, quer a um bom desempenho das suas funções profissionais.
Voltemo-nos agora para os dados do desemprego registado no Algarve (IEFP), referentes ao final de Dezembro de 2003.
Dos 15.329 desempregados inscritos, 34,17% não dispunham do 6º ano de escolaridade. 54,7% não tinham alcançado o 9º ano de escolaridade. 6,3% dispunham de habilitação escolar de nível médio ou superior. A inserção no mercado de trabalho de indivíduos com fraca habilitação é sempre uma árdua tarefa.
Analisando os mesmos desempregados por idades, verificamos que 17,5% têm menos de 25 anos e 22,7% 50 e mais anos. Os restantes encontram-se no escalão intermédio (25 a 49 anos).
Cruzando idades e habilitações escolares, temos que 4,6% (701) dos desempregados são jovens (menos de 25 anos) com habilitação inferior ao 9º ano. Estes jovens necessitam urgentemente de adquirir mais escolaridade e/ou formação profissional com equivalência escolar, se não terão muita dificuldade em triunfar no mercado de trabalho.
Ainda nos "cruzamentos", deparamo-nos com 2.871 indivíduos (18,7% do total) com idade superior aos 50 anos e habilitações escolares inferiores ao 9º ano. Sendo certo que alguns destes indivíduos estão à beira da reforma, muitos haverá que pretendem continuar a sua actividade profissional, sendo limitados pela baixa escolaridade, a que se junta muitas vezes uma baixa qualificação profissional, e pela idade algo avançada segundo os critérios das entidades patronais.
Volto ao início.
O Desafio da Qualificação!
Com estes dados, fiáveis e de acordo com o senso comum, a situação que se nos depara não é nada simpática.
Analfabetismo de 10% e fracas habilitações escolares da população residente.
População empregada também com fracas habilitações escolares.
Muitos desempregados jovens e com mais de 50 anos com fracas habilitações escolares.
Alguma coisa deve ser feita.
Todos temos que assentar que a educação é fundamental se queremos ser uma região desenvolvida.
Empresários, cidadãos, organismos da Administração Desconcentrada do Estado, decisores políticos, autarquias, sindicatos, todos temos que rumar para o mesmo lado.
Depois de 2006 existe uma coisa certa: a incerteza!
A aposta na educação e na formação profissional (preferencialmente acompanhada de equivalência escolar) são cruciais e têm que ter o apoio de todos!
Já agora, uma formaçãozinha em cidadania e civilização também seria uma excelente ideia para muitos….
Voltarei em 2012 para analisar a evolução verificada neste assunto, baseado no Censos 2011….
Até lá…..
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 05.02.2004
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