O Ano que ainda agora começou…
Pensamento positivo é o que se pede! Quem encara a vida de forma positiva mais facilmente alcança resultados positivos e consegue levar os que o rodeiam a também consegui-los.
A própria economia vive muito de expectativas, de perspectivas de evolução do mercado, enfim, da percepção do futuro. E quando o pensamento é positivo, apesar de todas as dificuldades existentes, as coisas correm melhor. Sempre.
Com o discurso inicial do Governo o pensamento positivo foi-se. Era altura de alertar para o estado do país, de chamar a atenção dos Portugueses, também eles altamente endividados e a viver acima das possibilidades, para a necessidade imperativa de mudar de vida.
A situação actual também não é tão negra como alguns querem pintar. Os primeiros indicadores de confiança na economia começam a ser consistentes. O próprio desemprego registado no Algarve nos últimos onze anos, apenas em quatro foi mais baixo do que no actual. E mais importante ainda, já se deu a inflexão do ciclo em muitos indicadores, o que é sempre de extrema importância em termos de expectativas.
Por isto tudo, está na altura do pensamento positivo. O copo está meio cheio, não meio vazio.
Dizia-me um amigo meu que seria interessante se os jornais e os telejornais experimentassem durante algum tempo dar ênfase às boas notícias, em vez da habitual primazia às más. Garantidamente a auto-estima nacional aumentaria substancialmente e estimularia a própria economia nacional.
Os próprios sindicatos deveriam optar pelo pensamento positivo, encarando cada dificuldade como um obstáculo a vencer, um desafio a ser ganho, em vez do discurso negativo, apontando sempre as baterias e todos os males existente à política do Governo.
A própria oposição dever-se-ia tentar fazer notar pela positiva. Apresentando propostas alternativas. Apontando o que está mal de forma construtiva, mas também indicando que se faz bem. Para falar mal de tudo e de todos, apontando aspectos negativos em tudo o que é positivo, já temos o Miguel Sousa Tavares na TVI!
O próprio cidadão anónimo deve tentar ser positivo. Se está desempregado de forma voluntária porque não tentar criar o seu próprio emprego, em vez de cruzar os braços à espera que alguém o convoque?
Todos temos que pensar que o Governo e o Estado não conseguem resolver todos os problemas. As autarquias e a Administração Pública desconcentrada têm recursos limitados e têm que ser geridos com parcimónia. Os cidadãos, empresas e outras entidades têm que pensar primeiro se podem resolver os seus problemas e só depois recorrer ao Estado.
Por exemplo, o financiamento das Universidades públicas por parte do Estado, que não cobre a despesa total, vai obrigá-las a abrir ao exterior, a saírem do seu casulo e a oferecerem serviços ao meio empresarial para arrecadarem receitas. Este esforço é meritório, pois coloca ao serviço da comunidade o avultado investimento que o Estado faz no ensino superior e cria espírito empresarial nas universidades.
Teremos um 2004 melhor do que foi 2003, mas as necessidades de rigor e exigência continuarão. Continuará a haver desemprego e problemas diversos. Mas se os encararmos de uma forma positiva, procurando alternativas e vendo neles desafios a vencer, será certamente um ano muito melhor.
Que seja um
FANTÁSTICO 2004 para todos nós!
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 08.01.2004
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