Optimismo para 2004
Chega de pessimismo! Começou novo ano e devemos entrar nele com pensamento positivo, com esperança que o futuro vai ser melhor e que a recuperação da economia já é uma evidência.
Os principais indicadores já bateram o fundo e já estamos numa situação de melhoria. Tudo aponta para que 2004 seja um ano melhor, com a actividade economia a recuperar, o desemprego a diminuir ou a crescer pouco, ou seja, com a nossa vida a melhorar.
Primeiro, a situação actual não é tão negra como se pinta. Por exemplo, em termos de desemprego registado na Região do Algarve, apenas 4 anos nos últimos 11 foram melhores do que 2003. O indicador de confiança dos consumidores no Algarve (INE) apresenta melhorias desde Maio/2003. Ainda segundo o INE, as famílias algarvias têm perspectivas positivas sobre a evolução do desemprego nos próximos 12 meses. São alguns indicadores que mostram que a expectativa de um melhor 2004 se baseia em indicadores reais.
Em termos nacionais a situação é idêntica. Os indicadores de clima económico e de actividade económica (INE) apresentam evoluções positivas em 2003, estando o segundo indicador em crescimento e ao nível do que estava no final de 2001/início de 2002. O investimento apresentou melhoras no terceiro trimestre de 2003. Também aqui se pode augurar um melhor 2004.
Uma questão importante prende-se com a inversão de ciclo em muitos indicadores. Apesar de estarem ainda negativos, esta inversão de ciclo é deveras importante, pois significa a alteração de tendência e abre novas perspectivas de melhorias futuras.
E no ano do Europeu 2004, quando o País estará em festa e a ser falado em todo o mundo, é normal que a economia ganhe algum alento e melhore o seu desempenho. E que o Algarve também aproveite, nomeadamente na restauração e hotelaria, se bem que outras actividades serão certamente beneficiadas, dada a realização de quatro jogos no Estádio do Algarve, com tudo o que isso implica em termos de adeptos que acompanham as suas equipas e que têm que comer, dormir, deverão fazer compras, etc. E a imagem da região será difundida por esse mundo fora, com todo o retorno que isso poderá trazer em termos futuros.
E voltando um pouco atrás, o optimismo dos consumidores e o clima económico favorável são factores-chave para um melhor ano. Se os consumidores acreditam que o futuro vai melhorar poderão sair da defensiva e voltar a um padrão de vida mais normal, influenciado diversos sectores da economia. E se o clima económico melhora significa que o tecido empresarial pensa que melhores dias vêm ai, com tudo o que isto implica de investimentos e de criação de emprego.
Por fim, o discurso deve mudar. Governo e partidos da oposição deverão contribuir para que o clima de melhoria efectivamente se verifique, salientando mais os aspectos positivos do nosso País, em vez de procurarem situações negativas. A confiança também começa aí. E os partidos poderão ter uma influência psicológica positiva sobre a economia, desde que o discurso negro de alguns se suavize. E nunca se viu um partido com discurso pessimista, só falando de coisas negativas, pintando sempre o pior dos cenários, conseguisse ser atractivo para o eleitorado e ganhasse eleições.
Ser optimista, desde que com os pés bem assentes na terra, é bom. Pensar positivo é benéfico. Conseguir dizer que existem coisas boas é sinal de inteligência.
Não queremos líderes derrotados, cabisbaixos, vencidos. O governo não tem que dizer que tudo vai bem, mas a oposição não tem que afirmar que tudo vai mal e com tendência para piorar. É a velha questão do copo de água a meio. Uns dirão que está meio cheio, outros dirão meio vazio. Eu prefiro o tipo do copo cheio…
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Magazine do Algarve - Janeiro de 2004
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