As Nossas Ilhas ...
Nas últimas eleições legislativas todo o país soube que a ilha da Culatra (Concelho de Faro) não tinha ido a votos. Razão: o actual presidente da edilidade - Dr. José Vitorino - não tinha ainda cumprido uma promessa do anterior presidente, no que concerne à rede de esgotos e ao abastecimento de água potável para a referida ilha. As reivindicações abrangem ainda a legalização do núcleo habitacional da Culatra, onde vivem cerca de mil pessoas, a aquisição de uma embarcação-ambulância e a construção de um pequeno ancoradouro para os barcos de pesca. Consta que não há verbas suficientes e que o Ministro do Ambiente se tinha prontificado a pagá-las e que agora não atende... Adiante!
O já citado Ministro prometeu que no corrente ano seriam demolidas mais de mil barracas das ilhas-barreiras (Farol, Armona e Culatra).
A Ilha de Faro é considerada um péssimo exemplo do ponto de vista ambiental e a qualquer momento poder-se-á dar uma catástrofe.
A primeira questão que se coloca é a da aparente contradição entre o que os habitantes da Culatra pretendem e o que quer o Sr. Ministro: uns legalizar o núcleo habitacional, o outro demolir barracas. Estaremos a falar do mesmo?!!!
Mas, a grande interrogação é sobre o futuro de todas estas pequenas ilhas, que importa preservar e deixar para as próximas gerações. Neste tipo de situações, defendo a primazia das razões técnicas sobre todas as outras, quer sejam legais, políticas, afectivas ou outras.
O que importa conhecer são os limites de cada ilha. Se devem ter casas de tijolo ou habitações de madeira. É aconselhável instalar uma rede de esgotos e o abastecimento de água potável? Será viável deixar que os filhos e os netos dos actuais habitantes construam mais habitações nestas ilhas? Até quando? Há um número limite? E situações irreversíveis, quantas há? E o que pode ainda ser recuperado? E os "mamarrachos" da Praia de Faro, não são um perigo ao futuro desta ilha?
E são estes dados "técnicos" que deverão fazer reflectir o poder político e não quaisquer manifestações, por mais legítimas e genuínas que sejam.
Um estudo aprofundado sobre as nossas ilhas, realizado por técnicos competentes e entidades idóneas, torna-se crucial para se poder decidir o futuro, e já agora, o mais brevemente possível para que se possam ir construindo alternativas.
Se o estudo já existe, ainda não chegou à opinião pública, e já se faz tarde!
E pronto venha de lá o tal estudo, reflictamos sobre ele de forma séria e responsável e que a decisão seja sábia e com vistas largas!
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Notícias do Algarve 02.04.2002
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