vialgarve                   
alternativa                              João Nuno Neves
Navigation Map
e-mail vialgarve

webmaster JNNN
A Campanha por cá ...

Quando este artigo for publicado já será do conhecimento público a esmagadora maioria dos resultados das eleições legislativas e a liderança de Portugal para os próximos quatro anos deverá estar definida. A não ser que alguns boicotes e os resultados dos círculos da emigração atrasem os resultados e propiciem alguma surpresa.....

A campanha não foi esclarecedora. Notou-se uma generalizada vontade de mudança, inesperadamente vinda de todos os quadrantes políticos, mesmo de quem criou o actual status-quo.... Mudança de estilo, de prioridades, de política e acima de tudo uma grande necessidade de sacudir Portugal e dizer bem alto: a situação não é boa, não vamos fazer prometer o impossível, vamos batalhar neste crucial desafio que é reequilibrar o país e sair da cauda da UE.

Em relação às opções políticas apresentas ficou na ideia uma certa aversão a adiantar medidas concretas e definitivas, talvez por não se saber exactamente com o que é se pode contar... A opção passou por estratégias vagas, pouco concretas, logo, futuramente, pouco comprometedoras.

As questões abordadas até à exaustão, como as azias e a pouca humildade democrática do Sr. Pinto da Costa no que concerne ao Estádio das Antas e todo o conflito que ainda envolveu o Dr. Rui Rio, o Presidente da República e o desestabilizador Ministro Dr. Lello e as declarações absurdas do Dr. Vilarinho, não eram o que os Portugueses esperavam de uma campanha eleitoral.

No entanto, nos dias mediatizados que vivemos, não são os políticos que definem a agenda política. Um político pode fazer um discurso brilhante, com várias propostas credíveis, bem suportadas do ponto de vista técnico e isso não lhe chegará para aparecer no telejornal desse dia. Agora, se der uma bofetada num adversário, fizer uma declaração a agredir verbalmente um qualquer opositor, levantar uma qualquer suspeita grave ou ameaçar o lóbi do futebol, terá a possibilidade de aparecer nas notícias televisivas pelas 20.40h, logo depois de vermos todos os suicídios que se deram no país, os homicídios que aconteceram, os anunciados processos sobre negligência médica, as opiniões dos técnicos de futebol sobre os adversários do jogo seguinte e rumores sobre a "chicotada psicológica" que se segue, uma reportagem em directo com o local onde um autocarro subiu para uma árvore e, finalmente, depois do intervalo, logo depois do anúncio ao WC Pato, temos os excertos de 2 minutos sobre a campanha de cada um.

O marketing também tomou conta do discurso político, tornando-o previsível, monocórdico e com muito pouca naturalidade. As pessoas não se entusiasmam com autómatos, mas com pessoas que lhes falem do fundo da alma e sejam naturais. Muitas horas devem ter passado os senhores candidatos a repetirem frases e discursos em frente ao espelho!

E nesta campanha existem uma série de temas que deviam ter sido discutidos pelos candidatos, designadamente nos debates televisivos, por serem o espaço onde maior número de pessoas pode assistir às diversas propostas formuladas. Vejam-se alguns exemplos: Qual o futuro de Portugal numa União Europeia alargada? Que arquitectura institucional numa Europa pós-alargamento nos favorece mais? Qual o balanço sério que se faz do Rendimento Mínimo Garantido? O que fazer com os emigrantes que continuam a chegar ao nosso país e a trabalhar ilegalmente, não sendo devidamente integrados e podendo trilhar os caminhos da marginalidade? E os empresários sem escrúpulos que os exploram, pagando-lhes menos do que aos outros, não fazendo os descontos obrigatórios.... isto é, quando chegam a pagar!? E sobre a segurança interna do país, está tudo óptimo? Até sobre a reforma do sistema político nada se ouviu... Restou-nos ligar à Internet, entrar nos sítios dos diferentes partidos, "sacar" os vários programas eleitorais, analisá-los minimamente, acrescentar a capacidade dos lideres e suas previsíveis equipas, juntar tudo e ontem ajudar a eleger o novo governo de Portugal, preferencialmente com menos abstenção.

Só espero que a solução saída das eleições de ontem nos traga estabilidade política para quatro anos e que no final da próxima legislatura o desafio seja, em vez de sair do pântano, aprender a voar....

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Notícias do Algarve 18.03.2002

Notícias do Algarve

Comente este artigo

Comentários por HaloScan.com
Tiago Torégão João Nuno Neves Pedro Miguel Ortet Jorge Lami Leal Jorge Moedas Carlos Baía Lara Ferreira Hugo Leonardo Nuno Silva Alexandra Paradinha Paula Rios Pedro Gonçalves Miguel Antunes José Leiria André Botelheiro André Ramos António Ramos Marco Rodrigues Outros