vialgarve                   
alternativa                              João Nuno Neves
Navigation Map
e-mail vialgarve

webmaster JNNN
Mudar de Vida!

Este poderá ser o lema para o Portugal dos próximos anos: uma forte mudança no estilo de vida. Um país com baixa produtividade, mas que consome demasiado. Com muitos telemóveis e poucos livros. Que tem poucas habilitações e muitos cartões electrónicos. Que vai perdendo as noções de esforço, rigor e exigência. Cada dia mais anestesiado. Sem crença na Justiça, nem na Saúde. Criticando sempre o Estado, os Funcionários Públicos, os Partidos Políticos e os Políticos.

Chegou a altura de mudar. Mudar de vida. Pensar um pouco mais em produzir antes de gastar. Acabar com a malandrice e os subsidiados profissionais. Repensar os objectivos estratégicos do País. E atacar os problemas com seriedade, reformando onde for preciso, combatendo todos os lóbis, mais ou menos legítimos, que se oponham. Fazer o que for necessário, seguindo uma linha de rumo (sem zig-zag's!), mesmo com custos eleitorais. Quem dá o clique e nos acorda deste marasmo?

Para onde e por onde vamos? Queremos e temos condições para sermos excelentes em que áreas? Como aumentar a nossa produtividade? Qual a forma de termos uma população mais qualificada, logo mais capaz para enfrentar os novos desafios agora que os Países de Leste estão à espreita? Saúde e Justiça ineficazes não são sinónimos de terceiro mundismo?

Comecemos pela base: Saúde e Educação. Na Saúde não se admite que haja cidadãos contribuintes sem médico de família, listas intermináveis para uma qualquer operação ou urgências a abarrotarem e onde o utente não tem o mínimo de condições, chegando a esperar horas para ter direito a uma maca. Não será a Saúde um valor inquestionável e que deveria ser sempre uma prioridade? Não será altura de combater os lóbis do sector e, com a exorbitância que hoje se gasta por utente, conseguir uma Saúde digna e acessível a todos?

A Educação foi a primeira vítima da anestesia. Perdeu-se, em muitos casos, o respeito ao próximo, o esforço e o rigor. Importa restabelecer a exigência, a alunos e professores, e melhorar o sistema de modo a que os alunos efectivamente adquiram as competências necessárias para vingarem no mercado de trabalho.

Quando a Justiça é lenta, deixa de ser justiça e passa a valer a pena ser o mau da fita em vez de cidadão exemplar. Se todos temos direitos e deveres na sociedade em que coabitamos, mas alguns gozam dos seus direitos mas não cumprem os seus deveres (ou só muito tardiamente o fazem), todo o sistema fica enquinado e a injustiça prevalece. Tantos projectos, e tanto dinheiro depois, como é possível o sistema continuar lento e perro?

A actividade económica é a grande locomotiva de um país, sendo fundamental que a Economia Portuguesa ganhe fulgor e se aproxime do que de melhor se faz na Europa, sim do melhor! Nunca gostei daquela conversa de que o nosso objectivo é atingir a média da Europa, o nosso objectivo é sermos os melhores.... se já só aspiramos a ficar a metade da tabela, o mais certo é nem lá chegarmos... Demos novos Mundos ao Mundo e agora sonhamos com a média...
Temos que fazer o mesmo de forma mais eficiente, aumentar a produtividade, incentivar a excelência. E aqui surge a ligação à Educação e Formação Profissional que deveria lançar para o mercado de trabalho pessoas com conhecimentos mais sólidos e mais ferramentas de trabalho....

Os novos fenómenos, como sejam os imigrantes de Leste e os assistentes de estacionamento não solicitados (AENS), terão que ter uma resposta por parte das autoridades. Se no primeiro caso a resposta deverá ser a de fechar portas a uma imigração desregrada, passando a uma política de imigração seleccionada para certas profissões, tratando de enquadrar quem já cá está e fazendo um feroz ataque à imigração clandestina e respectivas máfias, no segundo há que optar: ou é um caso de reintegração social ou é um caso de polícia. A reintegração é, claramente, a solução preferível mas as soluções continuam sem aparecer de parte do poder político....

Resta o Estado, onde se pega como um todo e se grita: "bandidos que nada fazem, muito complicam e que recebem o ordenado à custa do meus impostos!" É também comum dizer-se que no Estado há de tudo, como em todos os sectores de actividade, os bons, os maus, os médios, etc. Considero, no entanto, que dentro do Estado existem diferentes realidades e que as coisas não funcionam melhor devido à não avaliação técnica (para diferenciar de política...) do desempenho dos "gestores", leia-se dirigentes, pelo peso enorme das estruturas, baixa qualificação e pelo facto de nunca ir à falência, pois haverá sempre clientes para ao seus serviços!!!!!!!
E já agora um Estado menos gastador e que não desse o exemplo de viver acima das suas possibilidades...

Para terminar, importa reflectir sobre a crise da autoridade de Estado e a necessidade de o Estado aumentar consideravelmente as equipas de fiscalização nos vários sectores, pois não só se faria cumprir a lei, como ainda seria uma actividade rentável para os cofres públicos.

Deste panorama sombrio, que só com governantes corajosos e destemidos poderá ser alterado, salienta-se a necessidade de mudar de vida: terminar com gastos desnecessários, vidas fáceis e voltar a valorizar o rigor, o esforço e o empenho.

Quem dá o clique?

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Notícias do Algarve 18.02.2002

Notícias do Algarve

Comente este artigo

Comentários por HaloScan.com
Tiago Torégão João Nuno Neves Pedro Miguel Ortet Jorge Lami Leal Jorge Moedas Carlos Baía Lara Ferreira Hugo Leonardo Nuno Silva Alexandra Paradinha Paula Rios Pedro Gonçalves Miguel Antunes José Leiria André Botelheiro André Ramos António Ramos Marco Rodrigues Outros