Mudar de Vida!
Este poderá ser o lema para o Portugal dos próximos anos: uma forte mudança no estilo de vida. Um país com baixa produtividade, mas que consome demasiado. Com muitos telemóveis e poucos livros. Que tem poucas habilitações e muitos cartões electrónicos. Que vai perdendo as noções de esforço, rigor e exigência. Cada dia mais anestesiado. Sem crença na Justiça, nem na Saúde. Criticando sempre o Estado, os Funcionários Públicos, os Partidos Políticos e os Políticos.
Chegou a altura de mudar. Mudar de vida. Pensar um pouco mais em produzir antes de gastar. Acabar com a malandrice e os subsidiados profissionais. Repensar os objectivos estratégicos do País. E atacar os problemas com seriedade, reformando onde for preciso, combatendo todos os lóbis, mais ou menos legítimos, que se oponham. Fazer o que for necessário, seguindo uma linha de rumo (sem zig-zag's!), mesmo com custos eleitorais. Quem dá o clique e nos acorda deste marasmo?
Para onde e por onde vamos? Queremos e temos condições para sermos excelentes em que áreas? Como aumentar a nossa produtividade? Qual a forma de termos uma população mais qualificada, logo mais capaz para enfrentar os novos desafios agora que os Países de Leste estão à espreita? Saúde e Justiça ineficazes não são sinónimos de terceiro mundismo?
Comecemos pela base: Saúde e Educação. Na Saúde não se admite que haja cidadãos contribuintes sem médico de família, listas intermináveis para uma qualquer operação ou urgências a abarrotarem e onde o utente não tem o mínimo de condições, chegando a esperar horas para ter direito a uma maca. Não será a Saúde um valor inquestionável e que deveria ser sempre uma prioridade? Não será altura de combater os lóbis do sector e, com a exorbitância que hoje se gasta por utente, conseguir uma Saúde digna e acessível a todos?
A Educação foi a primeira vítima da anestesia. Perdeu-se, em muitos casos, o respeito ao próximo, o esforço e o rigor. Importa restabelecer a exigência, a alunos e professores, e melhorar o sistema de modo a que os alunos efectivamente adquiram as competências necessárias para vingarem no mercado de trabalho.
Quando a Justiça é lenta, deixa de ser justiça e passa a valer a pena ser o mau da fita em vez de cidadão exemplar. Se todos temos direitos e deveres na sociedade em que coabitamos, mas alguns gozam dos seus direitos mas não cumprem os seus deveres (ou só muito tardiamente o fazem), todo o sistema fica enquinado e a injustiça prevalece. Tantos projectos, e tanto dinheiro depois, como é possível o sistema continuar lento e perro?
A actividade económica é a grande locomotiva de um país, sendo fundamental que a Economia Portuguesa ganhe fulgor e se aproxime do que de melhor se faz na Europa, sim do melhor! Nunca gostei daquela conversa de que o nosso objectivo é atingir a média da Europa, o nosso objectivo é sermos os melhores.... se já só aspiramos a ficar a metade da tabela, o mais certo é nem lá chegarmos... Demos novos Mundos ao Mundo e agora sonhamos com a média...
Temos que fazer o mesmo de forma mais eficiente, aumentar a produtividade, incentivar a excelência. E aqui surge a ligação à Educação e Formação Profissional que deveria lançar para o mercado de trabalho pessoas com conhecimentos mais sólidos e mais ferramentas de trabalho....
Os novos fenómenos, como sejam os imigrantes de Leste e os assistentes de estacionamento não solicitados (AENS), terão que ter uma resposta por parte das autoridades. Se no primeiro caso a resposta deverá ser a de fechar portas a uma imigração desregrada, passando a uma política de imigração seleccionada para certas profissões, tratando de enquadrar quem já cá está e fazendo um feroz ataque à imigração clandestina e respectivas máfias, no segundo há que optar: ou é um caso de reintegração social ou é um caso de polícia. A reintegração é, claramente, a solução preferível mas as soluções continuam sem aparecer de parte do poder político....
Resta o Estado, onde se pega como um todo e se grita: "bandidos que nada fazem, muito complicam e que recebem o ordenado à custa do meus impostos!" É também comum dizer-se que no Estado há de tudo, como em todos os sectores de actividade, os bons, os maus, os médios, etc. Considero, no entanto, que dentro do Estado existem diferentes realidades e que as coisas não funcionam melhor devido à não avaliação técnica (para diferenciar de política...) do desempenho dos "gestores", leia-se dirigentes, pelo peso enorme das estruturas, baixa qualificação e pelo facto de nunca ir à falência, pois haverá sempre clientes para ao seus serviços!!!!!!!
E já agora um Estado menos gastador e que não desse o exemplo de viver acima das suas possibilidades...
Para terminar, importa reflectir sobre a crise da autoridade de Estado e a necessidade de o Estado aumentar consideravelmente as equipas de fiscalização nos vários sectores, pois não só se faria cumprir a lei, como ainda seria uma actividade rentável para os cofres públicos.
Deste panorama sombrio, que só com governantes corajosos e destemidos poderá ser alterado, salienta-se a necessidade de mudar de vida: terminar com gastos desnecessários, vidas fáceis e voltar a valorizar o rigor, o esforço e o empenho.
Quem dá o clique?
João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Notícias do Algarve 18.02.2002
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