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Pequenos Gestos Cívicos

A loucura do dia-a-dia vem tornando os cidadãos menos preocupados com o que os rodeia e mais centrados no seu próprio umbigo. A voracidade dos horários a cumprir e as, cada vez mais lentas, deslocações dentro das grandes cidades levam-nos a todos a olhar em frente, sem olhar para quem está ao lado e deve merecer a nossa consideração.

Os vizinhos não se conhecem. Já ninguém pede um ramo de salsa ou um pacote de arroz a quem mora à sua frente. O "olá" no elevador tornou-se uma rotina enfadonha. A entre-ajuda deixou de existir.

Nesta viagem face ao individualismo existem algumas situações profundamente desagradáveis e que espelham bem uma crescente indiferença em relação ao próximo e, por vezes, mais do que isso, um profundo desrespeito.

António Barreto, conhecido sociólogo, abomina os telemóveis. Segundo ele, várias vezes se levantou da mesa em restaurantes por se considerar desrespeitado pela utilização frequente e abusiva destes novos aparelhometros durante as refeições. Apesar de se poder considerar esta atitude algo excessiva, representa um pouco o exagero com que se utiliza o telemóvel e as situações inadequadas em que é usado. Já assisti a exames de Mestrado em que o aluno se levanta e sai porta fora para atender uma chamada! Dezenas de condutores a falarem ao telemóvel enquanto conduzem. Telemóveis a tocarem no meio de sessões de cinema, de reuniões importantes, de espectáculos musicais.
Por fim, falta a Sra. Paula Bobone para nos explicar como deveremos utilizar o telemóvel enquanto estamos à mesa, se do lado do garfo ou da faca....

No cinema, para além de tocar o telemóvel e muitas vezes ser atendido no meio da sessão, provocando uma amálgama de sons entre quem fala e o som do filme, temos também a excelente oportunidade de ver bons filmes enquanto se sente no ar um maravilhoso odor a fritos - vindo das pipocas - e se ouve um inenarrável "nhac, nhac, nhac" de quem mastiga verozmente tão apropriado alimento. Para quando a hipótese de se comer um bom cozido à portuguesa nas salas de cinema?

Passemos para os transporte públicos. Talvez devesse haver um pouco mais de respeito pelos idosos, grávidas e deficientes. Talvez....

Abordemos agora a questão dos condutores. Estacionar trancando outros carros, por vezes com lugares disponíveis a 10 metros de distância, tornou-se uma banalidade. Impressiona é a facilidade com que a palavra "desculpe" sai das bocas dos infractores e, quando repreendidos afirmam, céleres, "já pedi desculpa, o que possa mais fazer?". A espera de 10 ou 15 minutos que provocaram é certamente irrelevante... Já agora, pode-se acrescentar o desrespeito pelos peões, mormente nas passadeiras, o frequentes esquecimento do pisca-pisca - que provoca perigosos transtornos aos demais condutores - e uma perigosa incapacidade para circular em rotundas de forma correcta e sem abalroamentos.

Estas e outras questões são alguns exemplos claros de situações habituais no nosso dia-a-dia e que demonstram a crescente falta de respeito pelo próximo. A rever....

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Notícias do Algarve 03.09.2001

Notícias do Algarve

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