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Visionários autárquicos precisam-se...

Importa começar por diferenciar sonhador de visionário. Enquanto o primeiro sonha e é inconsequente no que toca à concretização, o segundo tem a capacidade empreendedora de transformar sonho em realidade.

Numa altura em que o país dispõe da última grande oportunidade para se desenvolver, leia-se QCA III, torna-se crucial aproveitar o próximo mandato autarquico para requalificar os nossos concelhos por forma a deixá-los bem dotados no final deste Quadro Comunitário de Apoio.

O facto de haver muito dinheiro para investir (desagrada-me profundamente quando alguns responsáveis falam em gastar....) e de alguma coisa ser realizada, por si só, não tem mérito. Fazer obra com dinheiro fácil, construindo aqui e acolá, sem estratégias nem objectivos, não é o que se pretende para este início de século. Importante é ter visão e capacidade empreendedora....

Tudo começa no sonho. Na capacidade de sonhar, de pensar uma cidade e um concelho. De definir o que se quer e porque é que se quer. Definir as estratégias adequadas e ser capaz de as pôr em práctica. No final, o sonho ter-se-á tornado realidade.

Abordemos agora o caso de Faro. É duvidoso que o comum cidadão entenda a orientação existente sobre o que se pretende para a cidade. Obras existem, importa questionar onde está o fio condutor das obras, realizadas e em projecto, e o que se pretende com a sua execução.

Qual o sonho para a cidade de Faro daqui a 10 anos?
Pretende-se uma cidade virada para a Ria Formosa? O que se quer fazer da relação com Loulé, Olhão e S. Brás? Vamos ter uma cidade limpa? Irão ser permitidos mais mamarrachos ou existe alguma traça arquitectónica a manter? Que espaços verdes vamos ter? Vamos ter um Pontal verde ou cinzento? Vamos ter mais grandes superficies? O actual sistema de circulação de tráfego??? está pensado para durar mais quantos anos? A parte histórica da cidade vai ser revitalizada? Para onde poderá crescer a cidade? O que está pensado para zonda da Rua de Sto. António cada vez mais comercial/escritórios e menos habitacional - podendo-se correr o risco de se repetir o que se passou no Rossio em Lisboa? Em termos de incremento da actividade económica está pensada alguma zona industrial ou outro tipo de espaço? O que fazer com a Ilha de Faro? E com as outras ilhas?

Eis algumas questões, sem ordenação especial, que convinha terem respostas nas próximas eleições.

Para que o cidadão saiba qual é o sonho para a sua cidade e possa intervir. Para que mais tarde não se ache perdido num interminável pesadelo....

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Diário do Sul - Edição Algarve 09.07.2001

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