
1- Tratamento: os arrumadores são retirados das ruas por equipas sócio-sanitárias e tratados medicamente, indo a sua maioria para tratamentos de desintoxicação 2- Ocupação social: pretende dar a estes indivíduos uma actividade, novas rotinas e disciplinas mentais. Por outras palavras, uma ocupação que lhes facilite a reintegração social. Têm direito a alojamento. 3- Emprego: É o final feliz da história. Deixaram as ruas e o estacionamento de automóveis, passaram pelo tratamento médico, acções ocupacionais, e passam a trabalhar, por si mesmos, sendo adaptados atendendo à sua experiência profissional anterior - caso exista alguma. Os que se recusarem a participar no programa não são obrigados, podem continuar a circular livremente pela cidade, não podem é arrumar carros. Até porque a polícia vigia as zonas já abrangidas pelo programa, para que não voltem para lá arrumadores. Nos últimos tempos a CM Porto lançou uma campanha para as pessoas não darem qualquer moeda aos arrumadores, pois cada moeda dada "era uma forma de o manter estacionado naquele local", segundo o vereador Paulo Morais. Afirma ainda que "Os arrumadores não são mais do que uma rede colectora de dinheiro para os traficantes. Sabe-se que ganham muito dinheiro, mas não há arrumadores ricos". Não foram criados regulamentos para licenciar esta actividade pela CM Porto. A outra solução parte com o mesmo propósito, tratar aquelas pessoas e dar-lhes uma hipótese de uma vida digna, mas de uma forma mais branda. Com efeito, esta segunda tipologia aposta em manter as pessoas a arrumar carros enquanto são encaminhadas para tratamento. As Câmaras Municipais criam "Regulamentos do Exercício da Actividade de Arrumador de Automóveis", situação existente por exemplo em Portimão, Coimbra e Carregal do Sal, ou seja, legalizam uma actividade economicamente parasitária, tentando depois levar os arrumadores a aceitarem tratamento e a reintegrarem-se. Legalizam uma actividade desnecessária e parasitária para deixar de haver ilegalidade e fica-se à espera que os arrumadores se aceitem tratar. Ainda por cima, se as Câmaras Municipais têm sempre falta de pessoas para limpeza, jardinagem, entre outras, porque não lhes pagam para fazerem este tipo de trabalhos, enquanto são tratados, em vez de irem aos bolsos dos cidadãos? Em Portimão pretende-se criar um corpo profissional de arrumadores! A sério! Quando iniciei a leitura da frase pensei que tivesse a ver com bombeiros…. Não! Um corpo profissional de arrumadores… Caros leitores Portimonenses, Portimão precisa de algo mais prioritário do que um corpo profissional de arrumadores? Claro que não! Esta deveria ser a prioridade máxima… do País! Outra situação caricata em Portimão prende-se com as obrigações dos titulares da licença: tratamento de recuperação ou integrar um programa de inserção. Uma pessoa saudável, sem vícios, mas que tenha o azar de estar desempregada e ter baixas qualificações, quiçá com uma idade já avançada, não se poderá candidatar…. Os arrumadores licenciados (não, não tem a ver com curso superior…) terão que ter um seguro de responsabilidade civil. Já estou a ver o filme: "Sr. Condutor, risquei-lhe o carro sem querer, mas tenho aqui a minha apólice de seguro, falarei com a minha seguradora e não haverá problema nenhum. Tudo numa boa". E será que são obrigados a dar início de actividade nas finanças? Em Portimão não, e em Coimbra e Carregal do Sal é facultativo. Ou seja, vai ser legalizada uma actividade que toda a gente sabe que não paga impostos e…. nem se obriga a que abram actividade nas finanças. Algum arrumador passará recibo? Ainda mais agora que até as prostitutas já passam…. O problema existe e tem que ser combatido. Todos os que lutam contra este problema têm as melhores intenções, mas legalizar uma actividade ilegal a pensar que tudo correrá bem se Deus quiser não parece a melhor solução. A metodologia do Dr. Rui Rio parece ser a mais acertada. Acima de tudo, o importante é que se faça qualquer coisa… e não fazer de conta que o problema não existe!
João Nuno C. Arroja Neves
Economista Jornal do Algarve 06.11.2003 |