logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

Faro: Campismo, Estádio e Motas

Parque de Campismo da Ilha de Faro
Em Outubro de 1996 escrevi nas páginas deste jornal um artigo intitulado "Lotação esgotada apresenta 'campismo na ilha de Faro' ". Entre outras coisas, afirmei que "A questão que se põe é a de descobrir se o parque de campismo municipal está ao serviço de todos ou de alguns. O enigma está em desvendar quem são os beneficiados com aquele parque e porquê. O mistério está em saber se alguém pagou direitos de propriedade ou se o parque continua municipal." e que "Algumas largas dezenas de famílias optaram por fazer do parque de campismo a sua casa de verão. Assim sendo, colocaram as suas caravanas onde quiseram (ocupando os espaços que existiam) e fizeram dali autênticas casas. A maior parte das caravanas não tem pneus em condições para se deslocarem (também, deslocarem-se para quê?!!!!), e em parte das "residências" existem autênticos jardins à volta das caravanas!!! A troco de alguns contos por ano (sim, porque pagam o ano todo para não perderem o lugar!), têm ali "moradias" de férias "ad eternum" e os outros ficam em casa." Quase sete anos depois continua actual. Porque será?

Um parque de campismo municipal não licenciado pela DGT, onde algumas centenas de pessoas "tomaram posse" de terrenos públicos por mensalidades simbólicas (o parque de campismo mais barato do país- diárias de 0.37€ por adulto e 0.75 por veículo), com "70 por cento da lotação ocupada a preços irrisórios há mais de 20 anos", segundo o jornal Região-Sul.

Nos anos 90 a autarquia de Faro tentou moralizar de alguma forma a utilização do parque e melhorar as suas condições. Lembro-me da enorme pressão exercida pelos utentes, tal como agora, e julgo que o processo não chegou até ao fim. Penso que foram feitos melhoramentos nas infra-estruturas, mas este "deixa-ficar-os-anos-que-quiser" continuou.

Foi necessário um problema ambiental provocado por uma descarga do parque de campismo na Ria Formosa para que o parque fosse encerrado e, após acesa discussão, encerrado para novos utentes (há quantos anos não há um novo utente no parque com caravana?), permanecendo os actuais até ao final do verão.

Urge acabar com esta situação, limitando o tempo máximo de estada das caravanas, obrigando todos a sair no último trimestre do ano para limpeza e reordenamento do lugar.

Aliás, penso que o problema está identificado, bem como as causas e as soluções. A grande questão está no que disse o responsável da associação de utentes, ameaçando que por detrás das tendas estavam 2.000 votos. Este tipo de atitude parola e pouco democrática não leva a lado nenhum e é uma chantagem abominável e reprovável ao Presidente da Câmara. Se um autarca fosse contar os votos dos que não gostam de cada decisão, o melhor seria dedicar-se apanha de conquilhas.

A ver se desta vez o problema se resolve, venham as pressões e as chantagens de onde vierem…

Estádio de S. Luis
Ao que parece o PS-Faro quer demolir Estádio de S. Luis e, posteriormente, vendê-lo para construção imobiliária, de forma a gerar receitas para o Farense. Mas,
- se o estádio está penhorado;
- se existe a hipótese de ir para venda em hasta pública;
- se existe a obrigação de não alterar o fim desportivo do recinto, sob pena de reversão para a família originalmente detentora do terreno;
- se o PDM prevê equipamento desportivo naquela zona;

Como demolir e vender? Alguns perlimpimpins?

Concentração de Motas
A concentração de motas de Faro deve estar por aí a rebentar. A concentração é uma iniciativa meritória do Moto Clube de Faro, umas das instituições mais dinâmicas da cidade e com provas dadas na área da solidariedade, por exemplo.
No entanto, a concentração não deverá infernizar a vida dos Farenses, sendo para tal necessário que a PSP tome as medidas adequadas para evitar que os excessos sejam permitidos, tais como circular sem capacete (com crianças e tudo!), cavalinhos, álcool, etc.
Como escreveu Fernando Madrinha no Expresso do passado dia 21.06.2003 "…(a PSP) devem munir-se da mesma autoridade e do mesmo grau de exigência pelo cumprimento da lei em todas as situações (…) seja perante o exército de motoqueiros que todos os Verões toma conta da cidade e arredores durante três dias, cometendo os maiores desmandos e tropelias sem que a polícia faça um gesto para impor essa tal autoridade".

A ver vamos….

João Nuno C. Arroja Neves
Economista
Jornal do Algarve 03.07.2003

 

Jornal do Algarve

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