Pensar no futuro? Porquê?
Este artigo parte da constatação da emergência de pensar no futuro de forma estruturada, construindo imagens de possíveis realidades e antecipar problemas, um exercício que desde há várias décadas se faz nos países mais desenvolvidos em relação a problemas-chave.
Em Portugal e em particular no Algarve esta metodologia foi durante muitos anos, na minha modesta opinião e salvo raras e honrosas excepções, preterida, optando-se pelas decisões fáceis, sem muita preocupação em planificar a médio e longo prazo qualquer tipo de actividade, seja ela de cariz privado ou público, colocando dessa forma em causa o futuro da próxima geração. O empresário, por um lado, preocupa-se apenas em saber qual a viabilidade do negócio e o seu lucro imediato em detrimento da sustentabilidade futura do mesmo, ao passo que o político cai muitas vezes na tentação de adoptar medidas populistas sem qualquer estratégia global.
Dito de outra maneira, precisamos adoptar uma postura pró-activa, cuja palavra de ordem seja o planeamento e não a postura portuguesa típica de apenas reagir aos problemas quando os mesmos já estão iminentes. Um exemplo disso é o caso dos incêndios, que pelo facto de existir uma prevenção deficiente obrigam a uma tomada de posição “a posteriori” com consequências devastadoras, que vão muito para além daquelas que teriam ocorrido se tivesse havido uma prevenção eficaz. O mesmo se diga da predominância da construção em detrimento da concessão de proporcionais espaços verdes. Exemplo disso é a construção de mais uma bomba de gasolina em plena cidade de Faro, defronte do novo teatro e de costas voltadas para uma urbanização. Bem sei que trata-se de um assunto polémico, pois a aludida bomba de gasolina aparece como uma bóia de salvação para o clube de futebol da “terra”, mas há que ponderar interesses…
Pensar no futuro é absolutamente determinante para a resolução dos grandes problemas do presente e simultaneamente abrir novos caminhos para um futuro onde seja possível casar crescimento económico, sustentabilidade ambiental e coesão social.
Hugo Barros Leonardo
Advogado
Jornal "Região-Sul" 28.04.2004
Comente este artigo