Tenho a certeza que este título provoca no leitor algarvio imediatamente duas sensações, pelo menos: a do “quero fugir daqui!” e a do “é impossível ter paz!”. Pois, engane-se, caro leitor, tal ainda é possível... Bem sei, é difícil, mas, se optar por percursos que excluam Quarteira, Vilamoura, Albufeira e Portimão, terá metade do seu problema resolvido. Alternativas serão: o interior barrocal, com casas de turismo rural com óptimas condições (vide
www.agroportal.pt,
www.algarvestart.com e
www.azrural.com), a serra algarvia, com as termas de Monchique, envolvidas numa paisagem verdejante que convida ao relaxe e com uma ampla oferta de tratamentos que cuidam do corpo e da mente e, ainda, para um dia bem passado, a lagoa do Pego do Inferno, junto a Tavira. Se preferir a praia, opte por aquelas onde a concentração de toalhas por m2 é bem menor que nos grandes centros, tais como, a praia da ilha deserta (ou da Barreta), a de Vila Nova de Cacela com acesso condicionado ao transporte em embarcações de pescadores que o fazem a troco de 1 € (ida e volta) ou, ainda, as praias das ilhas do Farol, Culatra e Armona.
A gastronomia algarvia é diversificada e deliciosa, como tal, muito requisitada, daí até fazermos fila na porta dos restaurantes mais conhecidos (o que nem sempre é sinónimo de qualidade!) é um instante! Mas... não desespere: faça alguns Kms para interior e vai ver que não se arrepende, o peixe continua a ser fresco no “ Paixanito” à saída de Loulé em direcção a Querença, onde a caça é bem servida e, em Sagres, procure marisco do dia no “Pardal”. À noite, se prefere calma e tranquilidade pode sempre ficar em casa.
Não se pretende com estas parcas palavras fazer um roteiro turístico do Algarve mas apenas exorcizar os dois dias passados em Quarteira ao som dos “Anjos” e a ouvir os decibéis da D.Modesta a chamar o pelo seu filho. Pretende-se ainda, chamar a atenção do leitor para as alternativas ao turismo massificado que se pratica nos grandes aglomerados urbanos.
Pois bem, agora que o Agosto é passado e o Setembro está aí com um clima ameno, caro residente, este mês ainda é passível de algum desfrute, agora sim, com mais tranquilidade.
O Algarvio em sentido lato, ou seja, o residente, adora a região, sente-se bem cá e já vai torcendo o nariz à confusão do pico do verão, no entanto, aconselha-se calma e algum discernimento pois esta região é de turismo por excelência e os veraneantes contribuem em grande escala para o seu desenvolvimento, pelo que há que saber receber bem, privilegiando a qualidade, e com algum espírito de partilha, pois, no fundo, o melhor remédio será participar dessa grande festa que é o escaldante Verão Algarvio!
Hugo Barros Leonardo
Advogado
Jornal "Região-Sul" 10.09.2003