logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

A Certificação Profissional como garantia de Qualidade

Já vem de longa data a regulamentação e certificação de profissões. O exemplo disso é o Regulamento da Carteira Profissional dos Barbeiros, Cabeleireiros e Ofícios Correlativos, publicado nos anos 70 do Séc. XX. À época, tal como agora, a regulamentação e certificação de profissões procurava garantir a defesa da saúde, integridade física e moral das pessoas ou a segurança de bens.

Certificar não é mais do que garantir que uma pessoa tenha as Competências necessárias para desempenhar uma determinada Profissão, assim, os trabalhadores considerados aptos para o exercício de uma profissão regulamentada, eram, e são, certificados através da atribuição de uma carteira profissional.

O número de profissões que obrigam à posse de carteira profissional para o seu exercício tem vindo a aumentar.
Áreas como a electricidade, construção civil, higiene e segurança no trabalho, e outras, apresentam hoje regulamentação própria para o seu exercício.

Esta situação não será, no entanto, conhecida pela generalidade da população. Longe disso.
Quantos de nós já questionamos o nosso barbeiro ou cabeleireira quanto à carteira profissional que possuem?
Certamente muito poucos.

Contudo, é fácil perceber que a posse de uma carteira profissional seja obrigatória em áreas particularmente sensíveis como aquelas ligadas à saúde e/ou ao bem-estar dos indivíduos, ou ainda a áreas técnicas especializadas.

Por outro lado, existem diversas áreas onde é possível obter uma carteira profissional, sem que a sua posse seja obrigatória para o exercício profissional, nomeadamente no caso dos serviços administrativos.

A certificação é acompanhada e supervisionada pelo Sistema Nacional de Certificação Profissional (SNCP) que tem como objectivos últimos a certificação das competências detidas por um profissional e a regulação da formação profissional inserida no mercado de emprego. O SNCP é um sistema de base tripartida, composto pela Administração Pública, Confederações Sindicais e Patronais, que atribui a uma única entidade (Entidade Certificadora) a responsabilidade certificadora de cada profissão regulamentada.

Assim, pode ser certificado numa determinada área, quem tenha frequentado formação profissional adequada, tenha experiência ou possua um título profissional obtido noutro país.

Actualmente, verifica-se que a obrigatoriedade decorrente da legislação, associada à fiscalização, leva os profissionais a encarar a certificação profissional apenas como uma imposição legal e não como a tal garantia de qualidade e segurança que têm para oferecer aos seus clientes. É certo que, neste aspecto, os clientes também têm a sua quota parte de responsabilidade, pois o desconhecimento da legislação ou a sua pouca exigência, leva-os a não questionarem as habilitações de quem lhes presta um serviço.

Trabalhadores de áreas tão diversas como o Sector Agrícola, Aviação Civil, Comércio, Construção Civil, Formação Profissional, Industria Gráfica, Madeira e Mobiliário, Fabricação Mecânica, Rochas Ornamentais, Segurança e Higiene, Serviços Administrativos ou Transportes Rodoviários, entre outras, podem hoje obter uma certificação profissional.

Cada vez mais o país necessita de uma cultura de exigência e excelência que "obrigue" todos os profissionais a procurarem certificar as suas competências, ainda que tal não seja obrigatório em termos legais, e a manterem actualizados os seus conhecimentos e competências, num mundo marcado por uma mudança cada vez mais rápida.
Esta prática tem de ser valorizada por empregadores, através do pagamento de melhores salários, abandonando-se de vez a política de baixos salários como factor de competitividade das empresas e do país, pois a contratação de trabalhadores certificados permitirá às empresas prestar melhores serviços aumentando o grau de satisfação dos clientes, e ao mesmo tempo motivar os trabalhadores para a obtenção de uma certificação profissional, sabendo que tal os levará à obtenção de melhores remunerações. Saem a ganhar os trabalhadores, empresários e consumidores.

Está na hora de nos afirmarmos pela qualidade dos nossos serviços e isso só é possível através a formação, qualificação e certificação.

E você, já certificou as suas competências?

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 30.10.2003

 

Jornal do Algarve

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