
Tais acontecimentos, tão degradantes, merecem que se tente perceber quais os seus responsáveis e qual a sua origem. Serão responsáveis a Polícia e adeptos, ou, pelo contrário existirão outras personagens com responsabilidade nesta matéria? Neste campo, as atitudes e intervenções que os altos responsáveis do mundo do futebol (dirigentes e treinadores) vão tendo, semana após semana, em nada contribui para um bom ambiente nos estádios, servindo antes para incentivam polémicas que nada têm a ver com a verdadeira essência do desporto, dando por vezes origem a acontecimentos como os atrás mencionados. Algo vai mal quando os dirigentes se insurgem contra a averiguação de suspeitas existentes. Deve-se aplicar aqui a máxima de quem não deve não teme. Tais investigações deveriam ser apoiadas e incentivadas sempre que alguma suspeita exista, pois só assim se consegue que o mundo do futebol se torne um mundo mais transparente. Algo está mal quando em cada semana os árbitros se tornam os primeiros protagonistas dos jogos, mesmo que a sua realização esteja a alguns dias de distância. Isto para apresentar apenas alguns exemplos. É curioso verificar que um treinador recém-chegado, vindo do país de "nuestros hermanos" se demarca de todo este tipo de comentários e atitudes, apenas se preocupando com o que é realmente importante: o desempenho da sua equipa. Certamente no seu país as coisas se passam de forma diferente de Portugal…. Como consequência, muito adeptos têm vindo ao longo dos anos a virar costas ao futebol, pois quando vão a um estádio pretendem ver um bom espectáculo que valha o preço pago pelo bilhete. Ninguém quer pagar para assistir a um jogo sabendo que durante ou após o mesmo corre o risco de ser agredido pelos adeptos do clube opositor, ou, até mesmo pela Polícia. Esta situação necessita de ser rapidamente alterada, pois só com o regresso do público aos estádios os clubes poderão aumentarão as suas receitas, tão necessárias para a melhoria das suas finanças. O Euro 2004 está à porta. Vamos cá ter adeptos ingleses, alemães, e outros, cujo comportamento não tem sido propriamente exemplar ao longo dos últimos anos. Com os exemplos que temos cá dentro, e os que virão de fora, corremos o risco de ver as nossas cidades transformadas em campos de batalha entre adeptos de vários países, ou, entre adeptos e Polícia no final de cada jogo. Estamos ainda a tempo de impedir que isto aconteça, e para tal temos certamente que começar por mudar atitudes cá dentro…
Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas Jornal do Algarve 30.01.2003 |