logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

RTP - Um serviço público para todas as regiões

O papel da RTP, enquanto serviço público de televisão, tem vindo a ser questionado ao longo dos últimos meses, pelos responsáveis por aquela estação de televisão. Primeiro debateu-se a existência de 1 ou 2 canais de televisão controlados pelo Estado, e mais recentemente têm vindo a ser discutidas a continuidade e utilidade de alguns programas nas grelhas daquela estação tendo em atenção o número de telespectadores dos mesmos, surgindo pelo meio a necessidade de redução do quadro de pessoal, dada a difícil situação financeira que a estação atravessa.

Entre tais discussões, surgiram inevitavelmente algumas vítimas. Uma delas foi o Programa RTP Regiões transmitido a partir do Algarve, que de há algum tempo para cá deixou de o ser. Isto depois de há mais de um ano ter sido despromovido do "horário nobre", das 19 horas, para um horário (14 horas) em que as audiências e o nível sócio-económico das mesmas passou a ser por certo inferior, muito embora o interesse do seu conteúdo fosse inquestionável para a região. Afinal aquele era o único espaço televisivo, onde de forma sistemática e regular se apresentavam os acontecimentos de maior relevância ocorridos e a realizar no Algarve.

Alegadamente a ausência de transmissão deve-se à inexistência de meio humanos em quantidade para assegurar aquele serviço. As dificuldades financeiras que a RTP atravessa, são por demais conhecidas, no entanto, numa entidade com tantos trabalhadores, seria de esperar a resolução atempada daquele constrangimento, nomeadamente por via da transferência de alguns trabalhadores de outras regiões, mesmo que com carácter temporário, não sendo necessário esperar pela hipotética entrada de novos trabalhadores que recentemente tem vindo a ser noticiada em vários órgãos de comunicação regional.

Ainda no campo das hipóteses, fala-se da possibilidade do RTP Regiões passar a ser emitido na NTV, canal que pertence à RTP e transmita apenas via TV Cabo, o que limitaria o acesso apenas aos assinantes.

É certo que uma articulação entre eficácia económica e o cumprimento de um serviço público, entendido como um serviço plural que educa, informa e diverte é difícil, senão mesmo impossível. No entanto, a RTP tem que ter por missão prestar um serviço público de televisão, de facto, servindo todo o país, sem excepção.

Um serviço às comunidades locais e regionais é sem dúvida um serviço da maior importância que deve ser incentivado e reforçado e não tratado como parente pobre. Resta-nos pois esperar que a "televisão de todos nós" volte rapidamente às emissões a partir do Algarve, com a qualidade a que nos habituou.
Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 27.02.2003

 

Jornal do Algarve

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