Novas Oportunidades
Estamos próximos do final de mais um quadro comunitário de apoio, o terceiro, em que entraram largos milhões de euros no nosso país com o objectivo de o modernizar, tornando-o mais competitivo, acelerando o seu desenvolvimento e reforçando o seu crescimento económico, através da aposta em áreas como seja a qualificação dos recursos humanos.
Na minha opinião, e contra as vozes de alguns velhos do Restelo que consideram que grande parte daquelas verbas foram mal empregues, sem vantagens para o país, notam-se hoje efeitos dos elevados investimentos feitos nos últimos anos, naquela área.
É certo que de uma forma lenta e a um ritmo muito inferior ao que seria desejável, mas a qualificação dos nossos recursos humanos tem avançado.
Nos últimos meses, as exportações portuguesas têm aumentado e a sua natureza tem-se alterado, passando da produção de indústrias de mão-de-obra intensiva, como a têxtil ou de calçado, que predominaram durante décadas, para a de maquinaria e equipamentos.
Pessoalmente, acredito que esta alteração só foi possível porque afinal o país tem mão-de-obra qualificada para tal, e que essa qualificação aconteceu em parte pelo investimento feito na formação profissional.
Mas, esta é uma batalha que não tem fim e por isso aqueles que continuam à margem deste processo de reforço de qualificações, têm que ser alvo de esforços e atenções redobradas. Recorde-se que cerca de 70% da população activa portuguesa ainda tem habilitações escolares apenas até ao 9º ano.
Actualmente existe um manancial de programas vocacionados para combater aquele cenário e que mais não são do que novas oportunidades que permitirão àqueles que por qualquer motivo, a dada altura da sua vida, não puderam investir na sua qualificação, apostar agora na mesma.
Casos disso são a formação profissional de dupla certificação, escolar e profissional, dirigida a jovens e adultos, bem como os processos de reconhecimento de competências, escolares e profissionais, que visam certificar competências adquiridas por vias informais e não formais.
Aquelas medidas e o reforço da oferta formativa de carácter profissionalizante nas escolas, são respostas para os elevados níveis de insucesso e abandono escolar do país.
A disponibilização destas valências encerram um importante desafio para os jovens e adultos que devem assumir uma postura pró-activa na procura e utilização daqueles instrumentos, colocados à sua disposição.
São novas oportunidades que todos podem e devem agarrar, procurando a formação profissional, os processos de reconhecimento de competências e todos os instrumentos disponíveis para elevar a sua qualificação. Se cada um por si tomar essa iniciativa, todos juntos podemos fazer a diferença.
Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 03.08.2006
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