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O outro Algarve

Sempre que falamos no Algarve inevitavelmente pensamos em sol e praia. No entanto, o Algarve é bem mais do que isso e para lá da faixa costeira, no barrocal e na serra, existe um Algarve a descobrir, que não aparece nos cartazes e roteiros turísticos e talvez por isso seja tão ignorado, não só pelos turistas como também pelos próprios algarvios.

Naquela zona encontramos uma população envelhecida, que se dedica principalmente à agricultura enquanto fonte de rendimento. De resto, aí encontramos um conjunto de produtos naturais e artesanais, característicos, como sejam o medronheiro, responsável pela produção da tradicional aguardente de medronho, a cortiça - considerada da melhor do Mundo e com algum peso nas exportações da região, as áreas de montado, cuja produção de bolota alimenta a suinicultura do interior serrano e o delicioso mel algarvio.

A gastronomia dos montes e vales do barrocal e da serra, caracteriza-se por servir repastos deliciosos, centrados na cozinha caseira tradicional, na caça e nas carnes fumadas. Entretanto, os artesãos vão ainda transformando materiais locais em objectos como cestos, renda de bilros, mantas e peças em linho, que vendem nas feiras e mercados da região.

No que respeita a locais a visitar, de Sotavento a Barlavento, pode-se identificar um conjunto vasto, com interesse associado à sua riqueza natural, histórica e patrimonial.

A Este, pode-se visitar o Castelo de Alcoutim, o Parque Mineiro da Cova dos Mouros na reserva da Foupana, em Vaqueiros, o museu que permite viajar pelos usos e costumes das gentes do Rio, em Guerreiros do Rio e o Forte de S. Sebastião em Castro Marim.

A Oeste sugere-se uma visita a Silves, cidade antiga banhada pelo rio Arade, com o seu imponente castelo, à serra de Monchique com o seu micro clima e vegetação típica, onde encontrará o ponto mais alto da região - a Foia, com uma vista panorâmica sobre o sul e oeste do Algarve e a Monchique onde poderá apreciar a magnífica vista e provar os doces regionais e o artesanato típico da zona e ainda às Caldas de Monchique, que existem desde o tempo da passagem dos romanos pela Península e são conhecidas por curarem várias doenças.
É também na serra de Monchique e na do Caldeirão que nascem importantes cursos de água como o rio Mira ou as ribeiras de Odeleite, Vascão e Odelouca, que fornecem água a toda a região.

Muito mais haveria por dizer do outro Algarve, aquele que é desconhecido para a maioria, no entanto, toda essa riqueza para além de vasta é indescritível, pelo que melhor que ler é visitar e conhecer, por isso atreva-se e parta à descoberta.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 30.06.2005

Jornal do Algarve

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