Os monopólios ou a qualidade dos serviços
Diz o dicionário que lóbi é um grupo de pressão.
No dia a dia vamos ouvindo falar de vários tipos de lóbis: da construção civil, dos médicos, dos juízes, só para mencionar alguns exemplos.
Embora não exista uma face visível destas estruturas, nem seja assumida a sua existência, "que las hay, las hay...".
A existência destes grupos tem por objectivo pressionar outros grupos ou mesmo a própria sociedade, no sentido de obter determinado tipo de favorecimento em proveito próprio.
O lóbi que mais recentemente veio a público em defesa dos seus interesses, no caso em defesa do monopólio de venda de medicamentos, foi o dos farmacêuticos. E isto em resposta à intenção declarada pelo Primeiro-Ministro de liberalizar a venda de medicamentos não sujeitos a receita médica.
Os farmacêuticos alegam que a venda de medicamentos fora de um local controlado, como são as farmácias, trará perigos para a saúde pública. Contrapõem os médicos que tal não é bem assim e que a liberalização dos locais de venda de certo medicamentos em locais como os hipermercados não trará quaisquer consequências negativas. A não ser para os bolsos do referido sector, digo eu.
A saída a público dos farmacêuticos em defesa dos muitos milhões de euros que vale este mercado é facilmente perceptível. Porque haverão de partilhar todos aqueles milhões com os doentes e com o Estado, se os podem conservar só para si?
Pessoalmente considero ajustada a medida proposta, não só pelo aspecto financeiro associado, mas também pela comodidade de poder adquirir determinados artigos, sem qualquer preocupação com a hora de funcionamento ou em saber qual a farmácia de serviço.
Curioso é no entanto o facto de, na farmácia a que habitualmente recorro e com a mesma farmacêutica que sempre me atendeu, recentemente, ao adquirir determinado medicamento de venda livre, ter sido questionado sobre se o mesmo seria para mim, tendo em seguida sido informado que o mesmo deveria ser tomado em determinada dose e num certo número de vezes por dia, coisa que nunca tinha acontecido antes.
Este caso, que não será certamente único, só demonstra a importância da concorrência nos mercados, não só no que respeita à determinação do preço, que em regra se torna mais baixo, como também na qualidade do serviço.
Não sei se a proposta apresentada pelo Primeiro-Ministro será efectivamente regulamentada, mas para mim já valeu a intenção, só pela preocupação que a farmacêutica passou a ter com a minha saúde…
Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 31.03.2005
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