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Desafios para o novo Governo

O cenário actual do nosso país não é particularmente animador. Baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego, baixa produtividade, baixas qualificações dos trabalhadores, défice público acima dos 3% nos últimos anos se exceptuarmos as receitas extraordinárias, dificuldade em atrair investimento estrangeiro, são algumas das características da nossa economia. Não existe neste momento uma estratégia de crescimento económico definida que permita reforçar a competitividade da nossa economia para os próximos anos.

Ao nível institucional, as nossas escolas não conseguem motivar os alunos, levando ao seu abandono escolar precoce, os tribunais demorar anos e anos a julgar alguns processo, o sistema de saúde continua a ser um sorvedouro de dinheiros sem fundo, a administração pública emprega 700.000 trabalhadores que absorvem 15% do PIB, a carga burocrática da administração pública é muito elevada.

Perante este cenário, o vencedor das últimas eleições não terá vida fácil, durante os próximos anos. Considero no entanto que, apesar dos muito desafios que se colocam face às dificuldades atrás apresentadas, 3 questões deverão ser colocadas como prioritárias: o controlo das contas públicas, a qualificação da população activa e a reforma da justiça.

A questão das contas públicas prende-se por um lado com a credibilização do nosso país face ao exterior e por outro com a necessidade urgente de normalizar uma situação que não é sustentável por muito mais tempo, pois o Estado não pode continuar a ter mais despesas do que as receitas de que dispõe.

No que respeita à educação, esta é a base de todo o desenvolvimento dos países. Não pode haver desenvolvimento e crescimento económico sustentável se a força de trabalho não for detentora de conhecimento. Veja-se o exemplo da Irlanda que actualmente possui das mais elevadas taxas de crescimento económico da União Europeia, o que só foi possível após uma forte aposta ter sido feita, durante largos anos, na educação da sua população.

No caso da justiça, não é aceitável que cidadãos e empresas continuem à espera durante vários anos por uma decisão do tribunal, em muito casos para situações relativamente simples. A demora só favorece os culpados, sendo que muitas vezes acaba por desincentivar a reclamação, mesmo de quem tem razão.

No aspecto económico, aquela demora pode mesmo levar ao encerramento de empresas, tornando-as inviáveis por não conseguirem cobrar dívidas. Este cenário é um desincentivo ao investimento e à criação de empresas e emprego.

Esperemos pois para ver, e tenhamos esperança que o novo Governo saído das eleições de dia 20 de Fevereiro tenha a arte e o engenho para ultrapassar tamanhas dificuldades e colocar o país no rumo certo.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 03.03.2005

Jornal do Algarve

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