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O que é nacional é bom

Um amigo que administra uma empresa de capitais alemães estabelecida em Portugal disse-me que iria ter direito a um carro atribuído pela empresa. Até aqui nada demais. No entanto, existia uma condição. O carro deveria ser.... alemão.

Tem-se assistido em Faro, e presumo que noutros pontos do país, à abertura exponencial de lojas pertencentes a chineses. Em conversa, alguém me dizia que o governo chinês pagava os custos de instalação de empresas criadas por chineses, no estrangeiro.

Há alguns meses, lia no jornal "Expresso" o testemunho de vários gestores de empresas nacionais de grande dimensão, de diferentes áreas de negócio, onde estes relatavam várias tentativas de internacionalização, com destaque para o mercado espanhol, sendo que, na maioria dos casos, as tentativas se saldaram em fracasso, graças aos fortes entraves burocráticos impostos pelo Governo do país vizinho.

Vivemos num mundo cada vez mais globalizado, onde se diz que as fronteiras estão a ser abolidas. A mão-de-obra, o capital e os bens produzidos circulam, cada vez mais livremente. No entanto, olhando para os exemplos atrás referidos, não os podemos deixar de ver como casos de proteccionismo, à indústria dos respectivos países, feita não só no próprio país, como também a partir de países estrangeiros.

No primeiro exemplo incentiva-se, fora da Alemanha, a compra de automóveis produzidos por empresas alemãs, No segundo, o governo chinês ao incentivar a criação de empresas no estrangeiro, está seguramente a garantir o escoamento da produção feita em território chinês.

Ao ver estes exemplos, pensamos naquilo que é feito para proteger a indústria nacional, e, numa primeira análise dificilmente encontramos exemplos como os acima descritos, pelo contrário verificamos que cada vez mais as empresas nacionais são vendidas a empresários estrangeiros, principalmente espanhóis.

Portugal tem sido competitivo nas indústrias associadas à mão-de-obra intensiva e pouco mecanizadas, casos do vestuário e calçado. Mas, com a abertura dos mercados internacionais e com a forte concorrência vinda de países como a China, a Indía, o Paquistão, e outros em que os custos com pessoal são substancialmente mais baixos que em Portugal, a produção nacional dificilmente será passíveis de qualquer protecção, que não advenha da própria qualidade dos produtos fabricados.

No entanto, cada vez mais vão surgindo no nosso país industrias em novas áreas como as telecomunicações e tecnologias de informação, desenvolvimento de software, saúde, componentes para automóvel, moldes, entre outras. E são estas as indústrias que poderão trazer valor acrescentado para o país através da exportação da sua produção.

Para tal é necessário promover e dar apoios para que aquelas empresas se possam expandir internacionalmente e exportar os seus produtos, e por outro lado, assegurar que, sempre que possível estas sejam de alguma forma protegidas. Nos recentes concursos lançados pelo Governo português para a compra de submarinos e ou de carruagens para o metro do Porto, entre outros exemplos, não seria demais pedir que parte da produção desses equipamentos assegurasse a incorporação de bens nacionais.

Afinal, muito do que se faz no nosso país, está ao nível do melhor que se faz no mundo, pelo que não devemos ter vergonha mas pelo contrário devemos incentivar o que é nosso, porque afinal, o que é nacional é bom.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 16.12.2004

Jornal do Algarve

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