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Os atentados terroristas, os mega-eventos e a actuação das forças de segurança

Pedro era um rapazinho que vivia numa aldeia e cuja ocupação era cuidar de um rebanho de ovelhas. Sendo um rapaz muito brincalhão, não perdia nenhuma oportunidade para se divertir à custa de outras pessoas.

Assim, certo dia, enquanto cuidava das suas ovelhas no monte, lembrou-se de pedir por socorro aos habitantes da aldeia, dizendo que um lobo estava a atacar o seu rebanho. Toda a população acorreu, prontificando-se a auxiliar o jovem Pedro.

Para espanto e decepção de todos, o pedido de socorro do jovem não passava de uma infeliz brincadeira. O certo é que a brincadeira se repetiu, o que fez com que os habitantes deixassem de acreditar no Pedro. E quando, de facto, o lobo apareceu ninguém veio em socorro de Pedro, pois toda a gente pensava que se tratava de mais uma brincadeira.

Esta fábula, que é de todos conhecida, tem uma moral, podendo igualmente ser aplicada a uma triste brincadeira, muito comum entre a população juvenil, e que se trata de telefonar para estabelecimentos de ensino avisando da existência de bombas, que afinal não existem.

Perante aquele cenário, e tendo já assistido "in loco" a uma destas situações, quero destacar a pronta intervenção das forças policiais, no caso a Guarda Nacional Republicana (GNR), solícita a intervir e a orientar todos os envolvidos, disponibilizando num espaço de poucos minutos, os meios necessários para apurar a veracidade da ameaça.

Nos dias que correm, com ameaças de terrorismo a pairar um pouco por todo o mundo, esta brincadeira torna-se particularmente sensível, pelo que esperamos que a história do jovem Pedro não aconteça.

Muito se tem falado recentemente das forças de segurança portuguesas, por via dos atentados que, não tendo acontecido em Portugal, estão na memória de todos, ao que se junta o aproximar da data de realização de grandes eventos no nosso país como sejam o Rock in Rio e o Euro 2004. Surgem amiúde, a propósito de eventos preparatórios (caso do jogo de futebol Portugal-Inglaterra), algumas mentes brilhantes que, a fim de ocuparem umas linhas nos jornais ou algum tempo em qualquer telejornal, lá definem um plano para introduzir uma faca ou outro objecto equivalente nos estádios, colocado no sapato ou em qualquer outra parte do corpo, conforme ditar a imaginação, o que origina de imediato que a eficácia de todo o sistema de segurança seja colocada em causa.

Qualquer evento, com um número significativo de participantes em que a sua entrada e saída tenha de se processar num espaço de tempo reduzido, será sempre susceptível de permitir a entrada ocasional de material não permitido, pois o tempo de revista a cada espectador é diminuto. E é preciso ter presente que nenhum sistema de segurança, em nenhuma parte do mundo é completamente infalível. E quem disser o contrário estará a mentir.

O que haverá a fazer, por parte das forças de segurança, será criarem mecanismos que minimizem os riscos, e tal é o máximo que poderá ser feito. Não me parece, no entanto, que as tais reportagens levem aquelas forças a melhorarem a sua intervenção, servindo antes de mais para as descredibilizar e lançar a confusão, podendo mesmo levar à dispersão em processos de revista, por exemplo à entrada de um jogo de futebol, "procurando a formiga e deixando passar o elefante".

Há, pois, que confiar nas nossas forças de segurança, deixá-las trabalhar e não encher de fantasmas todo este contexto, já de si bastante conturbado, sob pena de qualquer dia o Pedro, que somos todos nós, não ser socorrido quando pedir ajuda.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 22.04.2004

Jornal do Algarve

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