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A responsabilidade social das empresas

Um dos princípios básicos da economia é o de que as empresas têm por objectivo maximizar os lucros.
No entanto, os tempos mudaram e chegou o momento de questionar se essas empresas apenas existem para gerar lucros ou, se por outro lado, devem ter outras preocupações, nomadamente de carácter social. E a resposta parece apontar no último sentido. O mais interessante é que as empresas podem ser socialmente responsáveis sem que isso influencie os seus lucros pela negativa, antes pelo contrário.

À escala planetária são conhecidos os casos de empresas multinacionais que deslocam as suas fábricas para países onde o custo da mão-de-obra é menor, recorrendo muitas vezes ao trabalho infantil ou, numa escala nacional, não são poucos os casos de empresas que, sem qualquer respeito, poluem o ar ou a água. Estes são claramente casos de irresponsabilidade social das empresas.

O que é então uma empresa socialmente responsável?
É uma empresa que na sua actividade e relacionamento com outras entidades integra preocupações sociais e ambientais, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos seus colaboradores e respectivas famílias, bem como da comunidade local e sociedade em geral, originado um crescimento económico sustentável e maior coesão social.
Como actos de responsabilidade social podem-se apontar exemplos como a promoção da formação dos trabalhadores, criação de condições de higiene e segurança no local de trabalho, igualdade de oportunidade entre homens e mulheres na criação de emprego, distribuição dos lucros, não só pelos accionistas mas também por trabalhadores e pela comunidade em geral, ou a criação de mecanismos que diminuam os impactos negativos no ambiente resultantes da sua actividade. A responsabilidade social das empresas não implica a criação de novas estruturas, mas implica uma mudança de mentalidades na gestão.

As partes envolvidas (empresas, sindicatos, investidores, consumidores), essas revelam diferentes posições sobre o assunto.
Os sindicatos consideram que este devia ser um tema devidamente regulamentado, levando as empresas a cumprir as regras impostas, sendo sancionadas, caso não o fizessem.
As empresas consideram que esse deve ser um tema deixado ao livre arbítrio de cada uma, sem que seja criada legislação específica, existindo apenas códigos de conduta.
Quanto aos investidores, pretendem que o seu investimento seja compensado através duma gestão que maximize os lucros.
Os consumidores, por seu lado, cada vez mais exigem a qualidade dos produtos e serviços que consomem, mas ao mesmo tempo exigem que as empresas cumpram as suas obrigações (legais ou éticas) perante a sociedade.

Desta forma, os bens e serviços oferecidos vão, cada vez mais, sendo distinguidos com rótulos indicativos de "boas práticas" por parte das organizações, o que leva à sua maior procura por partes dos consumidores, levando ao aumento de vendas, e consequentemente de lucros para as empresas produtoras.

Este é pois o caminho que todas as empresas terão que seguir se pretenderem permanecer competitivas num mercado cada vez mais agressivo, já não bastando dispor de bons produtos ou uma boa organização para cativar os consumidores.

Outra prova de que esta prática veio para ficar, revela-se no facto da Comissão Europeia ter lançado um Livro Verde sobre o tema intitulado "Promover uma quadro europeu para a responsabilidade social das empresas".

Sr. Gestor, a sua empresa é socialmente responsável?

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 18.03.2004

Jornal do Algarve

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