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O papel da Universidade do Algarve na região

As Universidades, públicas ou privadas, deverão ser Centros de excelência e de Saber colocadas ao dispor da Sociedade civil, nomeadamente, empresas, associações, instituições sem fins lucrativos, instituições públicas, entre outras.

A sua missão é, não só, formar recursos humanos, que irão integrar os quadros dos diversos agentes económicos, mas também procurar novos produtos e modelos organizacionais adequados ao desenvolvimento das diversas entidades e por consequência da economia das regiões onde se inserem e, em última análise, do próprio país.

A importância das universidades numa região é, tanto maior quanto menor for a dimensão da região e menor for o número de universidades nessa região. Numa época em que tanto se fala na necessidade em qualificar mão-de-obra, como forma de aumentar a produtividade e competitividade da Economia, justifica-se falar neste espaço sobre a Universidade do Algarve e perceber um pouco mais sobre o seu importante contributo para o desenvolvimento da região.

Vale a pena conhecer os "produtos" que a Universidade tem para oferecer e procurar reflectir sobre a adequação desses produtos à região. E importa, desde logo, referir que a informação contida neste artigo resulta da consulta ao seu sítio na Internet (www.ualg.pt), que se considera bastante claro e de fácil acesso, permitindo a qualquer utilizador ter uma boa perspectiva sobre as actividades da Instituição.

É certo que num mercado marcado pela mobilidade de dos recursos humanos, os alunos formados numa determinada Universidade não terão obrigatoriamente que exercer a sua actividade na área de implementação da mesma, mas também é verdade que tal acontece em grande escala, pelo que a oferta de cursos deve resultar de um planeamento estratégico e ter em conta as necessidades da região a médio e longo prazo.

A Universidade, que, com vinte e um anos de existência, já atingiu a sua maioridade, apostou na descentralização e na sua aproximação aos alunos e à região, possuindo instalações em Faro, Portimão e Vila Real de Santo António, conta com mais de 10.000 alunos (o que representa 5% da população em idade activa do Algarve) e mais de 700 docentes.

A Universidade, agrega desde 1992 o Instituto Politécnico de Faro, contando actualmente com 5 Faculdades (Economia, Engenharia de Recursos Humanos, Ciências Humanas e Sociais, Ciências do Mar e do Ambiente e Ciências e Tecnologia) e 4 Escolas Superiores (Educação, Tecnologia, Saúde e Gestão, Hotelaria e Turismo).

Pela análise ao sítio na Internet, verifica-se que a Universidade aplica claramente os conceitos de uma Universidade moderna, que oferece para além das "tradicionais" licenciaturas e bacharelatos, um conjunto de outras valências, dispondo de centros de investigação, associando-se a um conjunto variado de programas trans-fronteiriços, realizando estudos e leccionando Pós-Graduações, Mestrados e Doutoramentos, nas mais variadas especialidades. Para além disto, verifica-se uma forte actividade associada à realização de Convenções e Seminários.

A título de curiosidade, refira-se que foram contados 2 bacharelatos, 47 licenciaturas, 2 cursos de especialização, 4 pós-graduações, 25 mestrados e doutoramentos em 26 ramos, contando cada um deste com várias especialidades.

Com tal quantidade, as áreas de actividade oferecidas só poderiam ser bastante diversificadas, surgindo áreas como a gestão, línguas, engenharias, comunicação, sociologia, psicologia, informática, enfermagem, entre muitas outras.

É certo que alguma da oferta pode ser discutível. Será justificável, por exemplo, a existência de 7 licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas, com as suas variantes, sabendo-se que o desemprego atinge grande número de alunos que concluem estes cursos?

Existem actualmente 971 desempregados inscritos nos Centros de Emprego do Algarve, com habilitação escolar mínima de Bacharelato, dos quais mais de 40% são professores, maioritariamente das áreas de Línguas e Matemática.

Esta questão e outras, que podem e devem ser colocadas, não põem no entanto em causa o papel e mérito da Universidade, servindo apenas para reflectir sobre formas de a tornar ainda melhor e cada vez mais ao serviço da região.

Para além disso, importa perceber que a Universidade só oferece tais cursos porque existe procura para os mesmos, o que nos leva à questão já por várias vezes colocada nesta coluna, de saber se os alunos ao entrarem para a Universidade têm noção das alternativas existentes e informação sobre as saídas profissionais de cada curso.

Para concluir, não se pode falar sobre Universidades sem nos referirmos à redução no seu financiamento. À partida, a redução do financiamento às Universidades pode parecer um contra-senso, num momento em que se debate a necessidade urgente de qualificar os recursos humanos no país, no entanto, na história os processos de crescimento das organizações e economias não se fizeram "sem dor", pelo que se torna necessário que aquelas instituições transformem esta ameaça numa oportunidade, encontrando novos modelos de financiamento, nomeadamente por via de uma cada vez maior abertura à Sociedade civil, realizando investigação aplicada às necessidades do mercado e tornando essa actividade numa mais-valia para a região e numa fonte de receitas para as Universidades.

Resta pois desejar que a Universidade do Algarve saiba vencer os obstáculos que se lhe colocam e se afirme cada vez mais como o tal pólo de excelência e de Saber que tanta falta faz ao Algarve.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 12.02.2004

Jornal do Algarve

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