logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

A hora de definir estratégias para o turismo algarvio

Realizou-se no passado mês de Junho, um Seminário organizado pela Associação Empresarial da Região do Algarve, que procurou fazer uma retrospectiva dos últimos 20 anos e ao mesmo tempo perspectivar a evolução das economias algarvia, portuguesa e europeia.

Aquele evento teve três grandes virtudes: conseguiu reunir diversas entidades regionais que há muito se encontravam de costas voltadas; conseguiu trazer ao Algarve o excelente orador que é o Governador do Banco de Portugal - Dr. Vítor Constâncio, e que proferiu um discurso de esperança quanto à futura recuperação económica do país; e por último apresentou uma interessante reflexão sobre o passado e presente da economia algarvia.
E é sobre este último aspecto que o presente artigo irá incidir.

Foi curioso assistir à retrospectiva dos últimos 20 anos da economia algarvia, para relembrar que no inicio dos anos 90, o modelo que desenvolvimento definido para a região passava pelo reforço do potencial económico e da base produtiva através da diversificação da estrutura económica, por uma melhor distribuição dos níveis de emprego e do rendimento e pela promoção do desenvolvimento local e melhoria das condições sociais das populações.

Fazendo o balanço, passados mais de 10 anos, constata-se que a estrutura económica da região se tem vindo a concentrar no sector turístico e actividades relacionadas, que as assimetrias regionais se têm vindo a acentuar, e que apenas no que respeita às condições sociais da população os objectivos terão sido atingidos, certamente como reflexo da melhoria geral das condições de vida da população portuguesa e não como consequência de qualquer estratégia seguida.

Comparando os objectivos traçados com os resultados alcançados, facilmente se percebe que algo não correu bem, independentemente de se concordar ou não com aqueles. Ou as estratégias definidas não resultaram, ou a forte apetência da região para o sector turístico foi superior sobrepondo-se àquelas estratégias.

Mas se no passado os objectivos não foram atingidos, devem hoje ser definidos novos e claros objectivos, tendo presente a actual dependência da economia algarvia pelo turismo que é elevada e irreversível, quer no Verão com o produto sol e praia, quer de Inverno com o produto golfe. Para além daquela oferta é sabido que existe um potencial de crescimento e diversificação, nomeadamente associado ao turismo de negócios ou turismo desportivo, e que poderá inclusive permitir a redução da sazonalidade na economia da região.
Torna-se pois imprescindível assumir a vocação turística do Algarve de uma vez por todas, definindo linhas de orientação estratégicas baseadas na mesma.
É fundamental valorizar a importância e o papel do turismo e das actividades a ele associadas enquanto actividades centrais no desenvolvimento da região.

A recente realização no Algarve do encontro mundial de turismo e as propostas apresentadas pelo Governo, fazem crer que o país decidiu apostar no sector fazendo dele um sector estratégico para o seu desenvolvimento.

O momento parece pois ser oportuno para que os vários actores regionais, de forma concertada, reivindiquem da Administração Central a criação de condições para o desenvolvimento e sustentabilidade do turismo na região.
Não é aceitável que um potencial investidor tenha de esperar oito anos (!!) para ver um projecto aprovado, seja em que área de actividade for.
Não é compreensível que o turismo, que já representa um peso no Produto do país superior a outros sectores da actividade, não tenha merecido ainda a atenção suficiente para que seja criado um Ministério do Turismo, tal como acontece com aqueles sectores.
Estes sendo problemas do país, afectam maioritariamente o Algarve enquanto região que maior número de turistas atrai a Portugal.

É no entanto preciso não esquecer que, associado às reivindicações, deve também existir uma forte responsabilidade e controlo, por forma a garantir o cumprimento de estratégias que venham a ser definidas, pois só assim se assegurará a sustentabilidade económica do sector e consequentemente da região.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 17.07.2003

 

Jornal do Algarve

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