logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

O verdadeiro serviço público de televisão

Já neste espaço se falou acerca do serviço público de televisão, tema que há alguns meses foi objecto de acesa discussão, aquando da decisão sobre a manutenção ou não da RTP 2, tendo actualmente no esquecimento.
No entanto, o conceito de serviço público de televisão não será certamente único e muito menos consensual.

Não será de esperar (?) que as televisões privadas se preocupem em aplicar aquele serviço, mas, pelo menos quando pensamos na RTP seria de esperar que tal serviço fosse prestado, a bem do país. Neste âmbito, o debate é variado, levantam-se inúmeras questões e colocam-se bastantes dúvidas. Afinal existe ou não serviço público de televisão oferecido pela RTP? A transmissão de programas de carácter cultural, passados na RTP2, e assistidos em regra por um número reduzido de telespectadores, será ou não serviço público de televisão? É certo que aqueles programas não são apresentados em mais naquela estação, pelo que não o sendo também na RTP, privarão um conjunto de pessoas de assistirem a uma programação acima da média, em termos culturais.

Por outro lado, quando observamos os canais privados, verificamos que uma parte substancial dos noticiários é "enchida", por notícias, se é que assim se podem designar, de mil e uma desgraças, que não servirão para informar os telespectadores e porventura transmitirão uma imagem distorcida do país em que vivemos.

Esta postura leva-nos de facto a perceber que a notícia apenas é divulgada quando o homem morde o cão e nunca ao contrário, isto é, continuam a entrar-nos diariamente em casa notícias, retratando casos que infelizmente existem, mas que não cumprem o papel de informar e muito menos representam a realidade do país pois tratam-se de excepções. Por outro lado, notícias correntes onde não existe o factor "desgraça" associado, mas que poderiam contribuir para informar os telespectadores acerca de iniciativas, por certo simples, destinadas à melhoria do bem estar dos indivíduos, continuam a ser alvo de abandono por parte dos meios de comunicação social, não só televisivos, mas também falados e escritos.

Como um exemplo entre muitos possíveis, e uma vez que tal evento não foi relatado nos órgãos de comunicação social, aproveito para apontar uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Segurança Social e do Trabalho e da Educação, cujo lançamento se realizou em 2003/05/27 e que se designa por "Ser Pró - Encontros de Educação/ Formação" e visa divulgar e sensibilizar os jovens, famílias, empresários e trabalhadores (empregados e desempregados) para a importância da aprendizagem ao longo da vida. Isto num momento em que o desemprego em Portugal atinge os valores elevados que conhecemos.

É caso para perguntar se iniciativas como a atrás referida e outras semelhantes não merecem ser divulgadas em horário nobre, em nome da informação a cada indivíduo e à sociedade em geral. Este seria talvez o melhor serviço público que todos os orgãos de comunicação social públicos e privados (televisivos, falados e escritos) poderiam prestar ao país, com a vantagem de se dirigir a uma faixa muito significativa da população.

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 05.06.2003

 

Jornal do Algarve

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