
Esta tendência é comum às mais variadas áreas que possamos pensar: economia, educação, saúde, segurança rodoviária, entre outras, e traduz-se em indicadores como taxa de desemprego elevada, taxa de inflação elevada, baixo grau de escolaridade, longas listas de espera nos hospitais ou altas taxas de sinistralidade nas estradas. O relembrar constante desta realidade, provoca desânimo no mais forte dos espíritos. Recentemente, com o agravar da situação económica internacional o estado de alguns indicadores tem-se vindo a agravar, arrastando, dizem, Portugal para o último lugar da União Europeia no que toca ao grau de desenvolvimento. Esta situação apresenta duas vertentes: uma estrutural, e que se prende com o comportamento despesista do Estado ao longo dos últimos anos, e outra conjuntural que não sendo agradável nem desejável é natural visto Portugal ser uma pequena economia fortemente aberta ao exterior e logo bastante exposta à evolução e variação da economia internacional. E se em relação à segunda vertente nada podemos fazer a não ser esperar por melhores dias nas economias mais fortes a nível internacional, e já agora por uma guerra rápida, em relação à primeira há certamente medidas a tomar. E neste aspecto é preciso lembrar que a economia apenas crescerá baseada num aumento de investimento, e este só aparecerá se houver consumo para escoar os produtos resultantes desse investimento. Quem consome será o Estado ou as famílias, sabendo-se que o Estado não dispõe neste momento de meios financeiros para tal neste momento, restando por isso as famílias. No entanto, é preciso ter presente que as famílias apenas consumirão se sentirem segurança para tal, isto é, dificilmente alguém aumentará os seus gastos se não tiver perspectivas de aumentar os seus rendimentos. E neste campo entra a auto-estima dos indivíduos. O grau de auto-estima de um povo interfere com as suas decisões e interpretação dos indicadores que lhe são apresentados. E, convenhamos que face às estatísticas que constantemente nos surgem não temos certamente motivos para apresentar altos índices de auto-estima, logo com consequências negativas ao nível do consumo. Uma evolução positiva da economia passa pois, também, pelo elevar do grau de confiança dos indivíduos e dos povos, que deste modo reagirão de forma mais favorável às adversidades que atravessam, o que pode contribuir para minorar as consequências económicas das crises ou, levá-los a superá-las mais rapidamente. Talvez por tudo aquilo, o povo português tem tendência para se considerar e considerar o seu país inferior a muitos outros. No entanto, uma visita a um país diferente como a Espanha, permite-nos constatar que muitos dos problemas que cá sentimos e discutimos diariamente, lá também se verificam: más estadas, televisão pública com programas de qualidade duvidosa, manifestações por melhores pensões de reforma, entre muito outros exemplo que se poderiam apontar. Isto para dizer que, o que de mau e de bom existe cá dentro também existe lá fora. O que é preciso, é abandonar a atitude de baixar os braços como reacção à "fatalidade" de seremos os eternos últimos e actuarmos de forma activa para alterar esta situação pois só assim os indicadores se poderão alterar.
Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas Jornal do Algarve 03.04.2003 |