logo ALTERNATIVA por Ricardo Baptista

E agora Portugal?

Há pouco mais de um ano o actual governo assumiu funções. Na altura, o país "encontrava- -se num pântano" de acordo com as palavras dos antigos governantes. Assim, deparou-se o actual executivo com um conjunto de desafios de curto prazo, sendo o controlo do défice público, em 2002 (2,7%), porventura o mais falado. No entanto, para além deste, outro de carácter estrutural, e por isso de tão grande ou maior importância, se colocava e coloca neste momento: encontrar um novo modelo de desenvolvimento económico do país que nos permita crescer de forma sustentada nos próximos anos.

Um novo modelo é fundamental, pois o actual modelo baseado em mão-de-obra barata e pouco qualificada, no qual o desenvolvimento do país se sustentou ao longo dos últimos anos, encontra-se esgotado. A prová-lo estão as baixas taxas de crescimento dos últimos anos, que se situam abaixo da média da União Europeia.

A implementação de um novo modelo passa, no entanto, pela reforma de mentalidades e instituições. Neste aspecto, pode-se dizer que ao longo do último ano, muitas feridas foram tocadas em áreas como a saúde, educação, emprego, segurança social, justiça, entre outras. As medidas traduziram-se na alteração ao Código do Trabalho, ao modelo de gestão na saúde, na reforma curricular, isto para citar apenas alguns exemplos.

Estas reformas foram fortemente condicionadas em 2002 e continuarão a sê-lo em 2003, pois não resta ao governo grande margem de manobra para a realização de alterações que impliquem investimentos elevados, dada a necessidade em manter controlado o défice público.

O problema do controlo do défice não é, na minha opinião, tão grave como se fala e poderá ser ultrapassado já em 2004, pois com a retoma da economia mundial que se perspectiva para final de 2003, o nosso país também beneficiará e a questão do défice tenderá a resolver-se por si, uma vez que as receitas do Estado aumentarão por via da cobrança de mais impostos.

Mas resolvido aquele problema, outra questão permanecerá por resolver: encontrar um modelo de desenvolvimento económico sustentável no médio prazo. É certo que o Estado tem de continuar a baixar os seus gastos, e tal poderá ser feito por via da diminuição do seu peso na economia, privatizando serviços como Notários, ou privatizando empresas que apresentam défices crónicos como a Tap ou a CP. O sector privado terá certamente mais vocação para gerir este tipo de entidades garantindo a sua viabilidade económico-financeira.

As Universidades e restantes estruturas de ensino e formação profissional precisam de criar mais pólos de investigação e preparar profissionais para o mercado de trabalho futuro e não passado, antecipando a evolução e necessidades do mercado.

As empresas devem interagir mais, criando sinergias entre si e com as instituições de ensino/ investigação e assumindo de uma vez por todas que a Investigação e Desenvolvimento representam um investimento e não um custo.

Tudo isto, tem no entanto que ser articulado, para que o resultado final seja o tal modelo de desenvolvimento que permita ao país garantir um crescimento forte e sustentado, nos próximos anos.

Esta reflexão leva-nos a questionar: E agora Portugal? Qual o modelo de desenvolvimento económico que se segue?

Carlos Jorge Baia
Gestor de Empresas
Jornal do Algarve 01.05.2003

 

Jornal do Algarve

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