E agora Sr. Presidente?
É inegável que Durão Barroso esteve empenhado no projecto "Portugal", desde que venceu as eleições legislativas de 2002. Também é inegável que as relações internacionais e a diplomacia lhe correm nas "veias".
Este foi o dilema de Durão.
O cargo que vai ocupar é "taylor made", acenta-lhe perfeitamente. Será precisa muita diplomacia para, por exemplo, aproximar os Transatlânticos do eixo Paris-Berlim, e diplomacia é o que não falta a Durão.
É evidente que é uma honra para todos os portugueses, que um cidadão deste país consiga liderar o " governo europeu", ainda mais nesta fase de recém alargamento.
Apesar da isenção, a que o cargo obriga, é claro que a comunicação entre Portugal e a Comissão será mais fácil, teremos então uma constante "linha aberta". É claro também que o respeito por Portugal será maior, principalmente pelos recém-chegados. E esta última questão parece-me muito importante, especialmente no relacionamento económico entre países.
E por cá?
Será que alguém acredita que Durão Barroso aceitaria tal cargo sem antes assegurar a estabilidade politica nacional? O Presidente da Republica sempre soube tudo, ou praticamente tudo, relativamente a esta saída. Não terá garantido taxativamente que não iria dissolver a Assembleia, provavelmente terá relembrado a sua posição aquando da saída de Guterres. Se nessa altura não quis dissolver uma minoria, acham possível que dissolva quando existe maioria? Seria um erro e uma incongruência de atitude, não própria para alguém que ocupa o mais alto cargo político da nação.
O PS que, desde que ganhou as ultimas europeias, entrou numa espiral fratricida (ou suicida, ou as duas em conjunto, é como preferirem), reagiu como se de um qualquer BE ou PCP se trata-se. Demonstrou que ainda não atingiu maturidade política para governar, demonstrou que não lidera a oposição e que têm receio de não seguir os apelos extremistas de bloquistas e comunistas, sob pena de perder eleitorado. Muito mau para quem devia defender valores mais altos do que a simples "revolta popular", alicerçada no mote político de eleições antecipadas, e tão apregoada pelos tais partidos que nada têm a perder.
As reacções dos diversos notáveis socialistas salientam o que de pior existe na cultura portuguesas (logo agora que estávamos a ir tão bem com o Euro).
Querem "ganhar dinheiro sem trabalho e duma forma rápida? Já sei… Totoloto!" e por outro lado " se eu tenho um Fiat tu não podes ter um Mercedes".
Deixo então as figuras de retórica: ânsia incontrolável pelo poder sem muito trabalho e inveja, mesmo que isso seja contraproducente para o país.
É minha opinião que Santana Lopes é a 1ª opção, e a mais correcta, para suceder a Durão como Primeiro-Ministro. Cumpre com todos os requisitos do vértice eleitorado/coligação/remodelação. Não tenham dúvidas que Santana vai pretender legitimar esta passagem de testemunho, junto do país e junto do partido, não agora mas o mais brevemente possível.
Para terminar gostaria de colocar algumas questões, decorrentes de todas as análises que se têm feito à volta deste assunto?
1- Será que Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite foram ao último congresso do PSD, ou estariam apenas desatentos quando Durão Barroso divulgou a lista à Comissão Politica Nacional?
2- Será que Marcelo Rebelo de Sousa ainda não percebeu que é muito inteligente, e que essa inteligência, por ser tão superior, não é perceptível pela generalidade da população?
3- Será que a politica governativa de Durão Barroso foi assim tão má, como quiseram pintar, para neste momento toda a oposição lamentar a sua saída?
4- Será que o seguimento da linha governativa, tão importante neste momento para todos, não será mais óbvio com Santana Lopes do que com qualquer eventual governo Socialista coligado com a extrema-esquerda?
5- Será que o Presidente da República não terá a mesma actuação com PS e PSD?
6- Será que não ficou suficientemente claro que o cargo que Durão Barroso vai ocupar é prestigiante para Portugal, apesar da opinião manifestada pelo Sr. Presidente da Republica?
7- Será possível que Durão cometesse tal leviandade, ao aceitar este cargo sem garantir a estabilidade do país, ou terá sido deliberadamente enganado?
8- Será que todo este "burburinho" à volta de Santana Lopes não fará dele uma vítima?
9- Será que essa vitimização não será uma "arma arrasadora", capaz de garantir uma vitória retumbante em eleições legislativas?
10- Será que se Ferro Rodrigues ganhar as eleições legislativas em Outubro, em Novembro ganhará o Congresso do seu partido?
11- Será que se não ganhar o Congresso teremos, novamente eleições?
12- Será que este país cresceu democraticamente ou ainda estaremos no tempo das convulsões a que a extrema-esquerda tanto apela?
Miguel Antunes
Director Financeiro
Postal do Algarve 08.07.2004
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