Europeias
Foi no passado domingo que se votou para eleger os nossos eurodeputados. Muita gente nem se terá dado conta, outros não quiseram pura e simplesmente saber dumas eleições que dizem muito pouco aos cidadãos portugueses.
Esta realidade não diz apenas respeito ao nosso país, por toda a Europa os índices de abstenção foram elevados, mas mais grave e preocupante foram os valores da abstenção nos territórios recém chegados á comunidade europeia. Este desinteresse generalizado prova que os responsáveis europeus não conseguem motivar as populações e que a Europa comunitária está sem objectivos.
O nível de participação, em toda a Europa comunitária, foi ligeiramente superior a 40%, contrastando com os cerca de 60% nas primeiras eleições para este parlamento.
O problema destas coisas é que se fala muito, reflecte-se muito, apenas durante a noite eleitoral, depois o assunto é pura e simplesmente esquecido.
Outra das ilações que podemos tirar dos resultados por essa Europa fora, foi o de que as populações aproveitaram estas eleições para penalizar os seus governos pelas políticas internas que tem vindo a seguir. Foi assim na Alemanha, França, Portugal, entre outros.
Poderemos também afirmar que a questão Iraque não teve, praticamente, peso eleitoral, uma vez que os partidos que suportam governos que não apoiaram essa iniciativa sofreram derrotas espectaculares (França e Alemanha).
Falemos então dos nossos resultados.
O P.S. consegue o que nunca tinha conseguido, por um lado a maior percentagem de sempre deste partido, por outro lado consegue, sozinho, derrotar uma coligação de centro-direita. Confesso que Ferro Rodrigues me têm surpreendido, será caso para dizer que este dirigente ganhou novo fôlego, depois de dois anos bastante difíceis.
O P.S.D. foi o partido que saiu pior destas eleições, elegendo apenas 7 eurodeputados, todos os outros partidos mantiveram ou subiram o numero de eurodeputados, inclusivamente o CDS/PP.
O resultado da coligação foi péssimo, demonstrativo de um discurso errado desde o principio da legislatura, o qual mergulhou o país numa depressão colectiva, demonstrativo de que os portugueses estão fartos das caras que Durão Barroso desencanta do baú antigo que guarda desde o tempo de Cavaco Silva, demonstrativo de que os portugueses sabem o que querem e sobretudo o que não querem.
Será altura de remodelar ( já há algum tempo o é), mas remodelar com novas figuras, com pessoas que demonstrem ao país vitalidade e capacidade de inovar politicamente. É que a política, quer se queira quer não, é feita por pessoas, e é nesses rostos que a população se revê, são esses rostos que motivam ou desmotivam, são esses rostos que deverão acabar com os 60% de abstenção. Alguém terá duvidas de que se o P.S.D. apresenta-se, por exemplo, Santana Lopes a sufrágio popular o resultado seria outro? Alguém terá duvidas que são com pessoas como Filipe Menezes que o P.S.D. poderá revitalizar e voltar a ganhar?
Estou certo que pelo menos um pequeno núcleo terá duvidas, vamos é ver até quando e a que preço.
Aqui pelo Algarve o P.S. consegue praticamente o dobro da votação do PSD e CDS/PP. Acho que o resultado diz tudo, pelo que será demasiado óbvio tecer qualquer comentário.
Miguel Antunes
Director Financeiro
Postal do Algarve 17.06.2004
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